O presidente do conselho de administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) disse hoje que a subconcessão da empresa foi uma solução que garantiu «empregabilidade» e que o caderno de encargos assegura a construção e reparação naval.

«A subconcessão foi uma forma de garantir a empregabilidade. Não o emprego», reconheceu Jorge Camões no parlamento, na comissão de inquérito ao processo que levou ao encerramento da empresa e subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

O responsável falava poucos dias depois de ter sido assinado o auto de posse dos terrenos e infraestruturas dos estaleiros de Viana, passando agora a Martifer a assumir totalmente a subconcessão daquela empresa pública pelo menos até março de 2031.

A administração da Martifer assumiu este mês que contaria ter ao serviço, ao assumir a subconcessão, cerca de 50 trabalhadores, recrutados entre os antigos funcionários dos ENVC, embora em março passado, o presidente da West Sea e do grupo Martifer, Carlos Martins, tenha afirmado à agência Lusa que o recrutamento, tendo em conta o compromisso de a empresa criar 400 postos de trabalho em Viana do Castelo, «vai acontecendo ao longo do tempo», dependendo das encomendas.

O presidente do conselho de administração dos ENVC traçou no parlamento alguns pontos chave do seu mandato, que começou em 2011.

A «continuidade da atividade de reparação naval», a «garantia de condições» para entrega de dois navios de patrulha oceânica (NPO), a manutenção do Ferry Atlântida e o cumprimento dos contratos dos asfalteiros foram elementos referidos por Jorge Camões na comissão parlamentar.

Questionado sobre a entrada da sua administração na empresa, o responsável diz que quando chegou aos ENVC teve a missão de «tirar uma foto à empresa».

«Em coordenação com a Empordef começámos a traçar cenários vários de como estava a empresa», recordou Jorge Camões perante os deputados.

Sobre o plano de reestruturação apresentado em 2011, suspenso pelo atual Governo, o presidente do conselho de administração dos ENVC lembra que o mesmo apontava para o despedimento «de mais de 300 pessoas».