O comissário europeu para a Investigação, Carlos Moedas, considerou «muito importante para Portugal» que o projeto da União Energética, apresentado esta quarta-feira em Bruxelas, promova as interligações energéticas.

«Acho que é muito importante para Portugal que uma parte deste projeto fosse a capacidade de fazer o aumento das interconexões», disse Moedas aos jornalistas.

«Acordou-se que até 2020 se conseguia ter 10% de interconexões, ou seja de passagem de energia entre os vizinhos, e de 15% até 2030, penso que é uma medida essencial e de uma grande importância para o futuro de Portugal», considerou.

O comissário português sublinhou ainda que foi graças aos Estados-membros que se avançou no desbloqueio das interligações entre Espanha e França, das quais Portugal está muito dependente, salientando que o executivo comunitário «tem apenas que dar incentivos para que as coisas aconteçam».

Em relação à pasta da Investigação, Ciência e Inovação, Moedas salientou haver «mais de seis mil milhões de euros do Horizonte 2020 e que vão ser aplicados, em mais de 80%, a energias alternativas, seja biodiesel, biotecnologias, seja de outras fontes».

Salientou que a União Europeia importa mais de 50% do que consome e que 80% tem origem em combustíveis fósseis.

«A única maneira de conseguirmos resolver o problema da energia é, através da investigação e da inovação, encontrar métodos alternativos e encontrar outras fontes energéticas», sublinhou o comissário.

«Vamos tentar avançar nestas descobertas, mas há um grande caminho até o mundo não estar tão dependente das energias fósseis», disse.

A Comissão Europeia apresentou esta quarta-feira, em Bruxelas, a estratégia para uma efetiva «União Energética», de modo a completar o mercado único europeu de energia, corrigindo falhas como a falta de interligações elétricas que afetam Estados-membros como Portugal.

A estratégia adotada esta quarta-feira pela «Comissão Juncker» define as principais medidas a tomar para garantir a segurança do aprovisionamento em energia, integrar os mercados nacionais, reduzir a dependência das importações, reforçar a eficiência energética, favorecer a descarbonização do cabaz energético e promover a investigação e inovação.

A realização do mercado interno da energia, as medidas a tomar para atingir a meta de 10% de interconexões energéticas, os projetos de interesse comum e os instrumentos financeiros, como o plano de investimento, são outros dos temas desta estratégia.

Segundo Bruxelas, estão listados atualmente 35 projetos de eletricidade que permitirão que, até 2020, 10 dos 12 Estados-membros atinjam o objetivo mínimo de 10%, entre os quais Portugal, sendo que, no atual quadro, os dois países que continuarão abaixo dessa meta são (a ilha de) Chipre e Espanha.