Portugal tem de esperar até 2016 para ver aumentada para a meta europeia de 10% a ligação de rede elétrica de alta voltagem a Espanha, atualmente na ordem dos 7%, segundo um relatório hoje divulgado em Bruxelas, segundo a Lusa.

O pacote da União Energética, hoje apresentado, identifica a interligação entre Portugal (Vila Fria – Vila do Conde – Recarei) e Espanha (Beatriz – Fontefría) como um projeto de interesse comum (PCI) que irá, em 2016, aumentar a capacidade dos atuais 7%, devendo ultrapassar a meta dos 10% até 2020, fixada em outubro de 2014, pelo Conselho Europeu.

Na semana passada foi já inaugurada uma ligação entre Espanha e França que permite aumentar para o dobro as exportações de energia elétrica na Península Ibérica, na ordem dos 3% antes desta nova interligação.

Atualmente, há 12 dos 28 Estados-membros cuja ligação ao mercado de eletricidade da União Europeia está abaixo dos 10%: Irlanda (9%), Itália (7%), Roménia (7%), Portugal (7%), Reino Unido (6%), Estónia (4%), Letónia (4%), Lituânia (4%), Espanha (3%), Polónia (2%), Chipre (0%) e Malta (0%).

A Comissão Europeia identifica como mais urgentes os casos de Espanha e Malta, sendo que, para o país ibérico, as estimativas para as interligações a funcionar em 2020, uma vez concluídos os PCI em curso, não ultrapassam a meta mínima dos 10%.

Já Portugal deverá estar, dentro de cinco anos, pronto para exportar entre 10% e 15% da energia elétrica produzida.

Em outubro de 2014, no final de um Conselho Europeu dominado pelo pacote de energia e alterações climáticas, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sublinhou as vantagens do aumento das metas de interligações elétricas, para 10% do consumo ibérico, mostrando-se confiante de que o reforço destas ligações de Portugal e Espanha com as redes elétricas europeias vai permitir aumentar as exportações nacionais de energia e atrair mais investimento.

A Comissão Europeia apresentou hoje, em Bruxelas, a sua estratégia para uma efetiva “União Energética”, de modo a completar o mercado único europeu de Energia, corrigindo falhas como a falta de interligações elétricas.

A estratégia hoje adotada pela «Comissão Juncker» define as principais medidas a tomar para garantir a segurança do aprovisionamento em energia, integrar os mercados nacionais, reduzir a dependência das importações, reforçar a eficiência energética, favorecer a descarbonização do cabaz energético e promover a investigação e inovação.