A francesa Engie negou estar a preparar o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a EDP Renováveis, mas admite estar sempre atenta a “oportunidades de investimento”.

A Engie gostaria de esclarecer que não tomou qualquer decisão em relação à EDPR [EDP Renováveis] e não está atualmente a preparar o lançamento de qualquer oferta sobre as ações da EDP Renováveis”, refere a empresa num esclarecimento enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) divulgado nesta terça-feira.

No esclarecimento - solicitado pelo regulador do mercado em Portugal “na sequência das notícias divulgadas durante a tarde de ontem [segunda-feira] sobre a circunstância de a Engie se encontrar a avaliar os ativos da EDP Renováveis com eventual propósito de poder vir a apresentar oferta sobre esta sociedade” - a energética francesa clarifica ainda que, “enquanto uma das maiores empresas de serviços de utilidade pública [‘utility company’], está constantemente a avaliar oportunidades de investimento”.

A agência Bloomberg noticiou na segunda-feira que a Engie estava a ponderar lançar uma OPA sobre a EDP Renováveis, no valor de 7,3 mil milhões de euros, citando fontes anónimas conhecedoras do processo.

A concretizar-se, esta oferta juntar-se-ia à da China Three Gorges, que tem em curso uma OPA sobre a EDP (que tem a maioria do capital da EDP Renováveis) e outra sobre a EDP Renováveis (esta última está dependente do sucesso da primeira).

Em abril, também o canal BFM Business, citando fontes próximas da Engie, tinha dito que a Engie estava interessada na aquisição do grupo EDP.

Então, o presidente executivo da elétrica, António Mexia, afirmou que não havia quaisquer contactos ou negociações com a francesa Engie com vista a “operações de consolidação”.

A eventual operação agora avançada pela Bloomberg diz apenas respeito à EDP Renováveis.

Segundo a Bloomberg, a empresa francesa estaria sobretudo interessada nos ativos da EDP Renováveis nos Estados Unidos da América, mas admitia fazer uma oferta por toda a empresa.

Em 11 de maio passado, a CTG (que já detém 23,27% do capital social da EDP, sendo o maior acionista) anunciou a intenção de lançar uma OPA voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada ação, que a administração da elétrica considerou “baixo”.

Caso a OPA sobre a EDP tenha sucesso, a CTG indicou também que avançará com uma oferta pública obrigatória sobre 100% do capital social da EDP Renováveis (EDPR) a 7,33 euros por ação.

A EDP controla 82,6% do capital social da EDPR, liderada por Manso Neto, que tem a sua sede em Madrid.