A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) anunciou esta quinta-feira a sua não oposição à compra da Iberwind pelos chineses da Cheung Kong Infrastructure (CKI) e Power Assets Holdings por mil milhões de euros, uma operação revelada no início do mês.

Em comunicado, o regulador energético refere que, após análise das condições do mercado e da operação, "emitiu parecer de não oposição" à operação, "mantendo em permanência as condições de monitorização concorrencial do mercado elétrico, em particular na atividade de produção de energia elétrica".

Para a ERSE, uma vez que a produção eólica se encontra sujeita a um regime de preço fixado administrativamente e que a sociedade que pretende adquirir o controlo da Iberwind não possui outros interesses em Portugal continental, considera que esta operação "não constitui o reforço de uma posição pré-existente em qualquer das atividades do setor elétrico nacional e, portanto, não prejudica a concorrência no setor".

No entanto, a ERSE alerta que, nos termos da Lei da Concorrência, a decisão final sobre a operação de aquisição da Iberwind pela sociedade PTRW, com sede no Reino Unido e com os dois acionistas de Hong Kong, "é uma competência da Autoridade da Concorrência".

A Iberwind é um consórcio de empresas dedicado à produção de eletricidade a partir de energia eólica, sendo o segundo principal produtor em Portugal, controlando diretamente um total de 31 parques eólicos com localização dispersa no país e tendo, em 2014, assegurado cerca de 14% da produção eólica nacional.

A empresa agora adquirida esteve sete anos sob controlo da Magnum e viu a sua capacidade instalada ser aumentada em 41%, "atingindo elevados níveis de eficiência", referia o comunicado da Iberwind a 02 de outubro.

"Estamos muito satisfeitos e honrados por ter trazido para Portugal o Grupo Cheung Kong, um dos maiores conglomerados económicos mundiais, com uma larga experiência em vários domínios financeiros e industriais, nomeadamente na área da produção e distribuição de energia elétrica”, afirmou na altura o presidente da Iberwind, João Talone.

A Magnum Capital foi fundada em 2006 por João Talone, Angel Corcostegui e Enrique de Leyva aos quais se juntou João Coelho Borges. Com um capital inicial de 866 milhões de euros, tem por objetivo o investimento e desenvolvimento de empresas com centro de atividade em Espanha e Portugal.

A CKI é a maior empresa de infraestruturas cotada em Hong Kong, parte do conglomerado Cheung Kong Group, presidido pelo empresário Li Ka Shing, considerado pela revista ‘Forbes’ o 17º mais rico do mundo em 2015.

O grupo é composto por um conjunto de entidades cotadas com uma capitalização bolsista agregada de 117,4 mil milhões de euros (a valores de 10 de setembro de 2015) e conta com operações em mais de 50 países com um total de 290 mil empregados.

A Power Assets faz parte do Grupo Cheung Kong e tem investimentos nas áreas de geração, transporte e distribuição de eletricidade, energias renováveis e distribuição de gás.