O consumo de energia elétrica manteve em julho a tendência de crescimento dos últimos meses, com um acréscimo de 0,4% desde o início do ano, com a produção não renovável a abastecer apenas metade do consumo.

Segundo dados da REN, o consumo de eletricidade aumentou 2,3% em julho em relação ao mês homólogo do ano anterior, confirmando a tendência positiva dos últimos meses, contribuindo para um saldo positivo de 0,4% nos sete primeiros meses do ano.

As condições meteorológicas continuaram em julho adversas à produção de energia renovável, sobretudo na componente hídrica com uma quebra de 19% face ao mês homólogo, para 467 Gigawatt-hora (GWh).

Desde o início do ano, a produção das barragens caiu 43%, para 6.521GWh, que compara com 11.371GWh do período homólogo.

Em compensação, a produção eólica aumentou em julho 7% para 773GWh, mas ainda assim incapaz de anular a tendência de queda verificada desde o início do ano, com um saldo negativo de 8% em relação aos sete meses de 2014.

A produção renovável representou em julho apenas 34% do consumo nacional de eletricidade, enquanto a produção não renovável representou 57% do consumo de eletricidade.

Desde o início do ano, a produção renovável abasteceu 50% do consumo, repartido pelas hidráulicas com 20%, eólicas 23%, a biomassa 5% e as fotovoltaicas 1,6%.

Neste contexto, ganhou fôlego a produção não renovável a partir do carvão, que abasteceu 26% do consumo, e de gás natural, que representou cerca 18%. Os restantes 5% do consumo foram abastecidos com recurso a importação, segundo os dados da gestora da rede elétrica nacional.


Produção a partir de gás natural dispara 340% devido a seca

A produção das centrais de ciclo combinado, que produzem eletricidade a partir de gás natural, disparou 340% nos primeiros sete meses do ano, tendo em julho atingido o valor mais alto desde 2012, segundo dados da REN.

De acordo com a gestora das redes energéticas, no gás natural mantém-se a tendência de forte recuperação dos consumos, devido à componente das centrais elétricas, que este mês registou o valor mais elevado desde janeiro de 2012, decorrente da quebra de produção de energia hídrica.

Em julho, o mercado de gás natural registou um crescimento homólogo de 24%, semelhante ao verificado no mês anterior.