A Deco manifestou esta quarta-feira “alguma preocupação” com o aumento do crédito ao consumo, que regressou aos níveis de 2011, devido ao grande endividamento das famílias e às “muitas dificuldades” que ainda enfrentam.

O jornal "Público" avança esta quarta-feira que o montante dos novos créditos ao consumo concedidos aos particulares regressou em março a valores próximos dos registados no início de 2011, poucos meses antes da entrada da troika. Os dados mais recentes do Banco de Portugal, relativos a março, mostram que nesse mês foram atribuídos empréstimos no valor de 272 milhões de euros, neste segmento

Em declarações à agência Lusa, a coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da Deco, Natália Nunes, disse ver estes dados com “alguma preocupação”, porque “é reconhecido que as famílias têm uma taxa de endividamento bastante elevada” e continuam confrontadas com muitas dificuldades.

O facto de estarem a assumir mais créditos, “nomeadamente crédito ao consumo, pode ser visto como algo preocupante”, sustentou Natália Nunes.

“Apesar de estes números hoje conhecidos poderem antever que há uma melhoria da situação das famílias, por isso estão a recorrer mais ao crédito, os dados que temos do GAS permitem-nos afirmar o contrário”, disse a responsável.


Segundo Natália Nunes, o número de famílias que pediu ajuda este ano à associação de defesa do consumidor (cerca de 7.500 ) é semelhante ao de 2014 e “em número muito superior ao verificado em 2012 e 2013”.

No primeiro trimestre deste ano, 30% dos casos abertos pelo GAS foram motivados pelo desemprego e pela deterioração da situação profissional, 8% devido a divórcio/separação, 12% devido a penhora, 10% por causa da alteração do agregado familiar, 7% por doença e 3% fiadores.

Estas famílias “continuam sem capacidade de conseguir recuperar financeiramente a sua situação”, lamentou.

Natália Nunes apelou aos portugueses que ponderem antes de fazer um crédito para evitar “dissabores no futuro”, aconselhando-os a “olhar para as prestações que já têm com crédito”.

“Se essas prestações já tiverem um peso de 35% a 40% no seu rendimento mensal devem aguardar e não devem contratar crédito”, explicou.


A coordenadora do GAS observou que um dos efeitos que esta crise teve foi o de “alertar as pessoas para a necessidade de terem alguns cuidados no recurso ao crédito”. “Acreditamos que o estão a fazer de forma mais responsável”, declarou.

Essa responsabilidade estende-se às instituições de crédito, que têm sido “mais restritivas na concessão de créditos por causa dos níveis do crédito malparado”.

Os dados divulgados pelo Público referem que, face a 2014, o ritmo de crescimento dos empréstimos continua a ser acelerado (30,7%), impulsionado pelo segmento do crédito automóvel.

O jornal adianta que “os bancos estão a antecipar um aumento da procura de crédito, não apenas pelas empresas, mas também pelos particulares, apesar de a maioria dizer que vai manter os critérios de concessão dos empréstimos, que ficaram mais apertados nos últimos anos”.