A Rede de Apoio ao Consumidor Endividado traça o perfil tipo dos clientes bancários em apuros que recorreram, em 2014, a uma das 21 entidades disponíveis para os aconselhar e acompanhar. São as mulheres quem mais dificuldades atravessam ou pelo menos quem mais pede ajuda
 
O número de pessoas endividadas que recorreu à Rede de Apoio ao Consumidor Endividado (RACE) quadriplicou no último ano. A rede nasceu em abril de 2013 e, nesse primeiro ano, atendeu 2040 clientes bancários com dívidas que pediam informação e/ou acompanhamento. Em 2014, o número subiu para 9035.
 
 
Casos como o de Gustavo Teixeira, a quem o desemprego trocou as voltas, gerou dívidas ao banco e a perda de casa.
 

«Isto é tudo um bolo. As contas não se pagam, os juros vão acumulando. É juros de conta negativa. É juros de prestação não paga. Até chegar a um ponto que o dinheiro das contas não deu para pagar o cartão de crédito e uma parte do que eu tinha de conta corrente a negativo».

 
Gustavo recorreu à Associação Portuguesa de Usuários de Serviços Bancários (APUSBANC), em Lisboa, para pedir ajuda. A APUSBANC é uma das 21 entidades que integra a RACE, que foi criada pelo Governo com objetivo de resolver de forma extrajudicial situações de incumprimento com a banca.
 
O perfil do cliente que recorre à RACE é fácil de traçar: são na maioria mulheres, com idades entre os 35 e os 50 anos (média de 47 anos), casadas ou em união de facto, com escolaridade igual ou inferior ao 12º ano, um rendimento médio de 715 euros e com créditos à habitação, créditos pessoais e cartões de crédito.
 
 
O aconselhamento prestado pelas 21 entidades que compõem a RACE não tem qualquer custo para o consumidor. É à APUSBANC que os clientes bancários em dificuldades mais recorrem. Só esta entidade, que além da sede em Lisboa tem delegações noutros locais, recorreram, no ano passado mais de 3500 pessoas.

No gráfico abaixo, pode consultar o número de casos acompanhados por cada uma das 21 instituições que compõem a RACE: