As taxas de juro médias dos novos depósitos atingiram novos mínimos históricos em fevereiro. Estes são os últimos dados que o Banco de Portugal possui e divulgou esta terça-feira. As taxas de juro têm vindo a descer consecutivamente. Os bancos dão cada vez menos aos clientes pelos depósitos e janeiro também já tinha sido um mês de mínimos históricos.

Em concreto, a taxa de juro média oferecida pelos bancos nos depósitos a particulares foi de 0,43% em fevereiro. São menos seis pontos base do que o valor registado em janeiro.

No caso dos depósitos de empresas, o valor médio foi ainda mais baixo, de 0,18%, ou seja, menos 13 pontos base do que no primeiro mês deste ano.

Já quanto a montantes de depósitos, entre as famílias o dinheiro posto no banco aumentou 291 milhões de euros para um total de 138.600 milhões no final de fevereiro.

"Este aumento refletiu-se numa taxa de variação anual de 4,8%, a mais elevada desde Julho de 2012, prosseguindo a tendência de crescimento que se observa desde o primeiro trimestre de 2015", anota o Banco de Portugal.

Quanto aos empréstimos concedidos pelos bancos a sociedades não financeiras e a particulares, continuaram a apresentar taxas de variação anual negativas, de -2,6% e -2,4% respetivamente.

A DECO alertou recentemente que o reforço das medidas monetárias pelo Banco Central Europeu, que deverá fazer baixar os juros dos depósitos para próximo de zero, pode representar "uma verdadeira armadilha" para os investidores, levando-os a arriscar as poupanças em produtos complexos.

Recorde-se que, em março, o BCE cortou a taxa de juro da zona euro para 0%. O anúncio foi recebido com surpresa: a taxa estava já em mínimos históricos, nos 0,05%.

Também a taxa de depósitos foi cortada para terreno ainda mais negativo: - 0,40%. Esta taxa estava nos 0,30%, o que representa uma descida de 10 pontos base. Esta medida tem efeitos a partir de 16 de março.

De recordar que os três maiores bancos privados que operam em Portugal - BCP, BPI e Santander Totta - tiveram lucros acumulados de 763 milhões de euros em 2015. Já o banco público, a Caixa Geral de Depósitos, continuou a apresentar prejuízos.