DInheiro não falta. Só que não chega à economia. As reservas que os bancos têm alcançam os 4.000 milhões de euros, isto é, 2% do PIB e bem mais do que os mínimos exigidos pelo Banco Central Europeu. É dinheiro que poderia ter como finalidade empréstimos, mas isso não está a acontecer.

Os dados do Banco de Portugal vêm citados no Diário de Notícias e indicam que a 29 de julho os bancos da zona euro tinham 913 mil mihões na gaveta e que no início de setembro o valor disparou para 1 bilião (€ 1.000.000.000.000), o que é um recorde. 

A Associação Portuguesa de Bancos tem uma explicação para o cenário europeu e o caso particular de Portugal: "A existência de liquidez em volume considerável e a política de baixas taxas de juro do BCE fazem com que o custo do crédito seja hoje baixo, procurando incentivar o crescimento e o consumo. Em Portugal, a procura de financiamento bancário está francamente abaixo da capacidade de oferta dos bancos. Por outro lado, é relativamente baixa a procura de crédito que satisfaz os critérios de ocncessão e de gestão de risco que os bancos estão obrigados a cumprir", apontou o presidente da APB, Faria de Oliveira.

Ou seja, os bancos não emprestam porque a procura de crédito é baixa, mas também porque a maioria daquela que existe é de clientes de risco elevado. Para além do mais, os níveis de capital dos bancos não estão no seu melhor e o crédito malparado é um peso pesado a complicar os balanços. 

Este dinheiro parado também tem o dedo do BCE, já que os programas de compra de dívida e o financiamento barato a que os bancos tiveram acesso, mesmo em dinheiro, também têm que ver com o excesso de liquidez.