[Atualizada às 20h37]

Oito bancos vão emprestar 700 milhões de euros ao Fundo de Resolução, dinheiro que servirá para capitalizar o Novo Banco, disse à Lusa fonte do setor financeiro.

Em vez dos 635 milhões de euros inicialmente comunicados, os bancos vão emprestar 700 milhões de euros ao Fundo de Resolução, um valor que já tem em conta a necessidade de o fundo gerido pelo Banco de Portugal pagar juros trimestrais pelos empréstimos que teve de fazer para capitalizar o Novo Banco.

Estava previsto que os bancos fizessem uma contribuição extraordinária de cerca de 100 milhões de euros, a juntar aos 367 milhões de euros que o fundo já tinha, mas a banca propôs trocar essa contribuição por um empréstimo de 635 milhões de euros, o que foi aceite pelo Governo, diminuindo a parcela do Tesouro de 4,4 para 3,9 mil milhões de euros.

Para os bancos é mais vantajoso realizar um empréstimo já que este não afeta os resultados, ao contrário da contribuição. Além disso, com o aumento da participação financeira no Fundo, passam a ter um poder de decisão maior na alienação do Novo Banco.

O sindicato bancário que dá o financiamento de 700 milhões de euros é constituído por oito instituições: Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, BPI, Santander Totta, Crédito Agrícola, Montepio, BIC e o espanhol Banco Popular, que se aliou recentemente.

No entanto, uma vez que a contribuição de cada instituição será ponderada em função da sua dimensão, os bancos com maior quota de mercado darão um maior contributo, pelo que o banco público CGD e o BCP poderão assumir as maiores fatias.

Os bancos, o Banco de Portugal e as Finanças andavam a discutir há já várias semanas as cláusulas do contrato do empréstimo, com vários pontos a provocarem discordância entre os responsáveis dos vários lados.

O dinheiro deverá chegar ao Fundo de Resolução esta sexta-feira, sendo que os bancos credores só começarão a receber os juros após ser totalmente pago o empréstimo de 3,9 mil milhões de euros do Tesouro ao mesmo fundo.

O Orçamento Retificativo informa que «o contrato de empréstimo do Tesouro ao Fundo de Resolução inclui uma cláusula impondo a prioridade de pagamento do mesmo».

Assim, segundo o documento «o pagamento dos juros ao sistema bancário apenas ocorrerá quando reembolsado o empréstimo ao Tesouro».