A greve na fábrica da Renault Cacia regista no primeiro turno, que se iniciou às 06:00, uma adesão superior a 90%, segundo dados avançados pela Comissão de Trabalhadores.

«Estamos perante aquela que é a maior greve já realizada na empresa. Tendo em conta os trabalhadores de mão-de-obra direta, a adesão é quase total. Do quadro de efetivos temos uma adesão de mais de 95% e temos concentrados à porta da fábrica mais de 200 trabalhadores e apenas entraram cinco», disse à Lusa Hugo Oliveira, da Comissão de Trabalhadores.

A greve foi convocada para um período de 24 horas, de forma a abranger todos os turnos, por aumentos salariais e contra os contratos de trabalho precário.

Com 1016 trabalhadores, a fábrica da Renault Cacia, em Aveiro, registou em 2014 um aumento do volume de negócios de 35%, cotando-se entre as melhores do Grupo Renault, e os trabalhadores pretendem ver repercutidos esses resultados na massa salarial.

A comissão de trabalhadores salienta que o grupo Renault «alcançou todos os seus objetivos no ano de 2014, sobre os quais a Fábrica de Cacia é parte integrante, sem que seja reconhecido o esforço e dedicação» dos seus trabalhadores.
Atendendo a que «a maioria dos trabalhadores não teve direito a um aumento salarial condigno, apesar de todo o sacrifício exigido», e goradas as tentativas negociais com a administração, os trabalhadores decidiram avançar para a greve, que é também de protesto contra «o abuso dos vínculos precários na empresa».

A fábrica da Renault Cacia produz caixas de velocidade e componentes de motor para diversos modelos da Renault, sendo toda a produção para exportação.