A Câmara de Lisboa designou esta quarta-feira Luís Natal Marques, ex-presidente da administração da empresa municipal Gebalis, para presidente da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa, substituindo António Júlio de Almeida, demitido pelo município.

Luís Natal Marques foi desde 2013 e até final do ano passado um dos liquidatários da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL), extinta a 31 de dezembro. Anteriormente, o economista de formação foi presidente do conselho de administração da Gebalis, empresa responsável pela gestão dos bairros municipais de Lisboa.

Na sua intervenção, o presidente da autarquia, António Costa (PS), justificou que a demissão de António Júlio de Almeida, presidente do conselho de administração da EMEL desde 2009, se deve a uma «divergência insanável» entre a sua posição e a do acionista - município - «relativamente a um conjunto de despedimentos» na empresa.
“A vontade do acionista prevalece sempre», acrescentou.

António Costa fez ainda questão de salientar que «a empresa hoje está musculada e capacitada para ser aquilo que se projetou que fosse, a empresa de mobilidade de Lisboa e não só de estacionamento».

Mostrando «apreço» pelo trabalho desenvolvido na EMEL por António Júlio de Almeida, António Costa apontou o aumento do número de lugares de estacionamento (em 82,5%), a redução da dívida (de 14 milhões para três milhões) e a melhoria dos seus capitais (de três milhões para 20 milhões).

Tendo tudo isto em conta, «revela-se conveniente dotar a EMEL de uma nova presidência no conselho de administração», refere a proposta aprovada, a que agência Lusa teve acesso.

A parte da proposta referente à cessação de funções de António Júlio de Almeida foi aprovada com 16 votos (secretos) favoráveis e uma abstenção, enquanto a que diz respeito ao novo presidente foi aprovada com 11 votos favoráveis, quatro abstenções e dois votos contra.

Assim, caberá ao representante do município de Lisboa na assembleia-geral da EMEL - o vereador Manuel Salgado - «votar favoravelmente a eleição» de Luís Natal Marques.

Em declarações à Lusa na terça-feira, António Júlio de Almeida informou que a sua demissão do cargo constitui o fecho de um ciclo depois da recuperação efetuada na empresa pela necessidade de adotar «nova alma».

«Fechou-se um ciclo, estou há seis anos na empresa. Fiz o trabalho que me pediram, recuperei a empresa, orientei-a, internacionalizei-a, modernizei-a tecnologicamente, pu-la a ganhar dinheiro. Agora é o momento próprio de me substituir e de dar nova alma à empresa», afirmou.

Questionado sobre as razões invocadas pelo município de Lisboa, António Júlio de Almeida assegurou tratar-se de «coisas [que] são normais».

Agora, acrescentou, «há que abrir outro ciclo e escolher outras pessoas»: «É normal isto, não tem nada de especial, nada de particular. Não procurem nisto razões que não existam. São razões absolutamente normais», reiterou.

António Júlio de Almeida rejeitou ainda as alegações de um processo polémico de despedimentos e gastos indevidos como razões para a sua demissão, lembrando que a empresa «tem os resultados mais elevados de sempre» e «aumentou o património líquido em cerca de seis vezes em seis anos».

No e-mail enviado na terça-feira aos funcionários da EMEL, a que a Lusa teve acesso, António Júlio de Almeida faz um balanço dos seis anos em que esteve à frente da empresa, dizendo-se «orgulhoso e feliz» pela experiência profissional e agradecendo «todo o apoio e confiança» que sempre sentiu da parte dos colaboradores.