O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio admite a possibilidade de haver perturbações nas entregas de encomendas nos supermercados Lidl devido à greve dos trabalhadores de três entrepostos a partir das 12:00, disse uma fonte sindical.

Os trabalhadores dos entrepostos Lidl da Marateca (Setúbal), Ribeirão (Braga) e Torres Novas (Santarém) iniciam uma greve às 12:00 horas desta terça-feira, que se prolongará até ao final do dia de quarta-feira.

«É provável que não chegue, que haja algumas encomendas que não cheguem às lojas. Embora a empresa de transportes seja exterior ao Lidl, haverá nestes armazéns perturbações nos carregamentos dos camiões», disse à agência Lusa a dirigente sindical Célia Lopes.

A dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal contou que o Lidl contratou trabalhadores temporários para os armazéns e outros fizeram horas extras para tentar contrariar os efeitos da greve.

«Apesar de o Lidl ter cometido estes atos menos lícitos, é provável que não cheguem a algumas lojas algumas encomendas», disse.

Em declarações à Lusa, Célia Lopes explicou que os trabalhadores daqueles entrepostos decidiram avançar para uma greve de 36 horas devido à «posição intransigente» da empresa de negar aumentos salariais.

«Considerando que os trabalhadores não têm aumentos há vários anos, decidiram fazer uma paralisação para começar às 12:00 de hoje e terminar às 00:00 de quarta-feira», disse.

Além dos aumentos salariais, os trabalhadores dos interpostos exigem também a passagem a contrato sem termo de trabalhadores precários «que se encontram a ocupar postos de trabalho permanentes».

Os trabalhadores, entre outras medidas, reivindicam a integração nos quadros do Lidl de elementos de empresas de trabalho temporário «a ocupar postos de trabalho permanentes», a concessão de dez por cento de desconto em todas as compras efetuadas em lojas Lidl e a existência de «música ambiente para o entreposto».

A dirigente do CESP explicou os armazéns «são muito importantes» para o Lidl, uma vez que o da Marateca abastece toda a região sul, o de Ribeirão a zona norte e Torres Novas o centro.

«Existe um outro armazém no Linhó, onde fica a sede da empresa, mas cujos trabalhadores não fazem greve. Não que eles não estejam de acordo mas porque não tivemos condições de, em tempo útil, cumprir prazos para a emissão de um pré-aviso de greve. No Linhó não havia estrutura sindical (agora já há), o que dificultou a realização de plenários», precisou.

Célia Lopes disse ainda que os trabalhadores em greve representam 75% dos funcionários dos entrepostos.
Além da paralisação, os trabalhadores vão concentrar-se à porta do armazém da Marateca como forma de protesto contra a posição da empresa.