A Infraestruturas de Portugal teve prejuízos de 12,3 milhões de euros no primeiro semestre, o que compara com os resultados negativos de 52,9 milhões de euros registados em período homólogo pelo conjunto da Refer e Estradas de Portugal.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa que resultou da fusão da Estradas de Portugal e da REFER dá ainda conta de um aumento de 22% das receitas operacionais em termos homólogos para 693 milhões de euros.

Para este aumento das receitas destaca-se o aumento da Contribuição do Setor Rodoviário, de 28% para 325,4 milhões de euros, ou seja, mais 71,5 milhões de euros. Também as receitas das portagens aumentaram, neste caso 8,2 milhões de euros (7%) para 127,2 milhões de euros.

Quanto a despesas, os custos operacionais subiram 17% (53 milhões) para 373,3 milhões de euros, em comparação com o primeiro semestre de 2014.

A empresa justifica o aumento nesta rubrica “principalmente pelos gastos com a construção rodoviária – Túnel do Marão”, de 49,4 milhões de euros.

No entanto, segundo explicou aos jornalistas o presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Ramalho, o túnel do Marão representa simultaneamente despesa e receita, porque contribui para o aumento de receitas de fundos comunitários.

António Ramalho apresentou, em conferência de imprensa, os resultados consolidados da IP no primeiro semestre deste ano e salientou, nomeadamente, o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) positivo, com um crescimento de 29%, para 319,7 milhões de euros.

O gestor destacou que o resultado consolidado antes de impostos também foi positivo, num total de 1,1 milhões de euros, quando no mesmo semestre do ano passado, a Refer e a Estradas de Portugal tinham tido um resultado negativo antes de impostos, num total de 53,6 milhões de euros.

O resultado líquido terá sido negativo "por efeito da limitação à dedutibilidade da totalidade dos encargos financeiros líquidos".

No primeiro semestre deste ano a IP reduziu os encargos financeiros em 4,8%, para 67,9 milhões de euros, e as despesas com pessoal em 1%, para 63,2 milhões de euros.

A IP tinha 3.848 efetivos no final de junho deste ano, quando há um ano tinha 3.983.

António Ramalho disse aos jornalistas que a redução de pessoal não é atualmente uma preocupação para os trabalhadores da IP, até porque a fusão da EP e da Refer não tinha como objetivo "destruir emprego" mas sim "criar valor", embora obrigasse a um processo de reestruturação que tem passado também pela "fusão de instalações", que tem libertado edifícios.

O presidente da IP referiu, como exemplo, o caso da ex-sede da Refer, o Palácio Coimbra, que já está arrendado, assim como diversos espaços da estação do Rossio.

O gestor salientou ainda que a IP conseguiu no semestre em análise a redução da dívida liquida em 659 milhões de euros e lembrou que a Infraestruturas é a empresa com maior volume de ativos, num total de 26.648,6 milhões de euros.

De acordo com o relatório hoje divulgado, a IP tinha no final do primeiro semestre deste ano um capital próprio de 2.697,2 milhões de euros, o que corresponde a mais 1.155,4 milhões de euros que no mesmo período do ano passado.