A gestão da operadora brasileira Oi, que está em processo de combinação de negócios com a Portugal Telecom (PT), sublinhou esta o seu compromisso com a PT Portugal, salientando que ambas as equipas estão juntas para superar desafios.

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Numa carta enviada aos colaboradores, assinada pelo presidente interino da Oi, Bayard Gontijo, e pelo presidente executivo da PT Portugal, Armando Almeida, a que a Lusa teve hoje acesso, os dois executivos salientam que a missiva visa «reforçar o comprometimento da gestão da Oi e da PT Portugal na superação dos desafios» que estão colocados.

«Eu, como presidente da Oi, e Armando Almeida, nosso presidente da PT Portugal, estamos juntos com toda a equipa da Oi e da PT Portugal nesta jornada», refere, adiantando que «a PT Portugal tem ajudado muito a Oi no desenvolvimento tecnológico e de processos, assim como a Oi pôde partilhar expertises mercadológicas [especificidades de mercado] com a companhia».

Na carta, os gestores lembram que as empresas estão a enfrentar «uma situação adversa» e que é «necessário que todos tenham claro entendimento», apontando o caso da Rioforte, do Grupo Espírito Santo (GES), «que provocou um default [incumprimento] de 897 milhões de euros» e «causou dano sério à PT Portugal e à Oi».

Aliás, os gestores apontam que este caso levou a que as duas operadoras de telecomunicações «sofressem um downgrading [descida da notação financeira] das agências internacionais de rating».

Atualmente, «temos um problema real a tratar, vamos fazer o que é certo diante deste cenário. Posso garantir que a gestão da Oi, em conjunto com a gestão da PT Portugal, está a trabalhar arduamente para superar o desafio que foi posto a todos nós», adiantam.

«Temos que reduzir o alto endividamento que temos de forma efetiva, por isso devemos reduzir custos firmemente e rapidamente e controlar de maneira granular e eficiente os investimentos», lembrando que o foco está na redução da dívida, o que exige uma «assertiva gestão de capital, incluindo venda de ativos».

Garantem ainda que não haverá «ações precipitadas», sublinhando que enquanto gestores têm a responsabilidade de gerar retorno aos acionistas, o que implica «a manutenção de condições para que a Oi e a PT Portugal tenham um futuro sustentável».

Sobre a intenção de compra dos ativos da PT Portugal pelo grupo francês Altice, os gestores remetem para um comunicado da operadora datado de 13 de outubro, no qual «a Oi esclarece que o Banco BTG Pactual, assessor financeiro contratado pelo comissário para desenvolver alternativas para a participação da Oi como protagonista na consolidação do setor das telecomunicações no Brasil - foi contactado por diversos interessados em obter informações selecionadas» sobre os ativos portugueses.

«Até à presente data, [a Oi] não recebeu qualquer proposta de alienação, com indicação de valores ou não, de suas atividades em Portugal e que não existe decisão visando a alienação de tais atividades ou de seus ativos em Portugal», referem.

Salientam que «a PT Portugal tem no mercado português uma trajetória de sucesso e muito a contribuir ainda para o desenvolvimento económico e social» do país, agradecendo o empenho dos trabalhadores, apontando que «juntos, Oi e PT Portugal, com foco, disciplina e comprometimento», há «todas as condições necessárias para superar os desafios».