A Comissão Sindical Negociadora da Galp Energia vai pedir, esta segunda-feira, a mediação do Ministério do Trabalho para tentar desbloquear as negociações salariais, com uma tribuna pública marcada para quinta-feira e uma greve perspetivada para maio.

«As negociações para rever o Acordo de Empresa (AE) arrastam-se há muito tempo e, depois de termos apresentado em fevereiro uma proposta de aumentos salariais de 3,5% para este ano, estamos num impasse, porque a empresa quer condicionar o aumento salarial à retirada de direitos e regalias consignados no AE», disse o dirigente da CGTP, Armando Farias, à agência Lusa.

Por isso, a comissão negociadora, composta pelas estruturas sindicais Fiequimetal e Sicop decidiu requerer a mediação na negociação do AE, explicou o sindicalista.

A Fiequimetal, federação da CGTP que aglutina os sindicatos da metalurgia, química e indústrias elétricas, marcou também uma tribuna pública para quinta-feira de manhã, na mesma altura em se vai reunir a assembleia-geral da Galp Energia.

No âmbito da mesma iniciativa, uma delegação sindical irá entregar na sede da empresa, em Lisboa, um abaixo-assinado em defesa dos direitos dos trabalhadores.

«Esta assembleia-geral da Galp Energia tem dois pontos fortes: a substituição da administração [o atual presidente executivo, Manuel Ferreira de Oliveira, deverá ser substituído por Carlos Gomes da Silva] e a aprovação da distribuição de dividendos aos acionistas», disse Armando Farias.

Segundo o sindicalista, a mudança de administração não interessa particularmente aos trabalhadores, mas a distribuição de dividendos sim.

«É que os trabalhadores não têm aumentos há quatro anos, mas nesse período a empresa teve lucros e distribuiu dividendos de 20% ao ano. E isso é inaceitável», afirmou.

A Fiequimetal marcou também plenários para o dia 23, em Lisboa e em Sines, e para o dia 30, no Porto.
De acordo com Armando Farias, nos plenários vai ser discutida uma proposta de greve para o mês de maio.