Os empresários estão muito pessimistas quanto ao futuro das pequenas e médias empresas (PME) nacionais, revela um estudo levado a cabo pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) junto de 888 empresas.

Cerca de 90% dos inquiridos afirmaram-se «pessimistas» quanto ao futuro das PME nacionais devido às dificuldades de financiamento, impostos excessivos e prazos de pagamento incomportáveis.

«Verifica-se que o descontentamento é muito grande, observável nos adjetivos mais utilizados e bem representativos do sentimento de desolação, tais como: muito difícil, dramático, trágico, tenebroso e sombrio», lê-se nas conclusões do estudo, citado pela Lusa.

Segundo a associação, as «principais razões invocadas pelos empresários para justificar a sua visão pessimista em relação ao futuro radicam na dificuldade de financiamento, quer em termos de acesso, quer de custo», para além da «carga excessiva de impostos» e dos «prazos de pagamento incomportáveis».

Relativamente aos 10% de respostas que demonstraram uma visão otimista, a AEP refere que, «apesar de terem consciência das dificuldades que o país atravessa, preferem ver a mesma realidade, mas no prisma contrário, ou seja, enfatizando o que pode ser feito para dar a volta à questão e quais as apostas necessárias para vencer a crise».

Quando questionados sobre as perspetivas para as Pequenas e Médias Empresas (PME) em Portugal, os responsáveis das empresas inquiridas «enfatizaram a importância da internacionalização, designadamente através do aumento das exportações, como forma de ultrapassar a atual crise económica e financeira».

Já «a dificuldade de financiamento, quer em termos de acesso, quer do seu custo», é considerada pelos responsáveis das empresas como «o principal obstáculo à sua sobrevivência», com cerca de três quartos das empresas a classificar este item como «Mau» ou «Muito mau».

De acordo com a AEP, «os empresários argumentam que, sem financiamento para fazer face às enormes dificuldades de tesouraria, a situação torna-se insustentável».

Paralelamente, «sem financiamento não há stocks e os prazos de entrega de materiais dilatam, prejudicando toda a cadeia de produção», além de que «sem apoio da banca não há inovação nem competitividade».

Os empresários apelam a uma «intervenção rápida neste campo», alertando que, «caso isso não aconteça, o encerramento de muitas PME será inevitável, amplificando um efeito recessivo sobre a atividade económica».

A par da «necessidade urgente» de assegurar o regular financiamento das empresas, os empresários consideram «imprescindível apoiar a recapitalização das PME, no sentido do reforço dos capitais próprios das empresas economicamente viáveis».

Do estudo da AEP ressaltam ainda um conjunto de outras «debilidades» ao nível da envolvente empresarial, com destaque para a justiça, fiscalidade, burocracia, legislação laboral, prazos de pagamento pelas entidades públicas e custos de energia, que «tendem a elevar desnecessariamente o custo da atividade empresarial».

O «funcionamento da justiça» foi o fator classificado de modo mais negativo, seguido do «prazo de pagamento pelas entidades públicas», da fiscalidade e da carga excessiva de impostos.

O estudo da AEP revela, ainda, que os empresários «reconhecem as suas próprias debilidades», apontando para «algumas fragilidades intrínsecas das empresas», com destaque para a reduzida dimensão, «com o consequente impacto em termos de economia de escala e de massa crítica para enfrentar, com sucesso, o mercado internacional».

A este propósito, os próprios empresários afirmam a «necessidade de uma maior cooperação entre as empresas», seja via parcerias, fusões ou alianças estratégicas, assim como a inserção em clusters com outras empresas.

Por outro lado, os empresários «reconhecem a necessidade de melhorar a sua capacidade de gestão, defendendo que deve ser implementada uma atitude profissionalizada na gestão das PME».