O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou esta quinta-feira que o aumento salarial de 25 cêntimos por dia decretado unilateralmente pela empresa Transportes Sul do Tejo constitui uma provocação aos trabalhadores.

«Isto é uma provocação. É o mínimo que se pode dizer», disse à Lusa o dirigente da CGTP, durante um plenário de trabalhadores dos TST, que hoje cumprem uma greve de 24 horas para exigirem aumentos salariais e o pagamento de trabalho extraordinário.

O dirigente da CGTP, que falava à Lusa durante o plenário realizado nas instalações dos TST no Laranjeiro, em Almada, distrito de Setúbal, afirmou ainda que a situação na empresa constituiu também um exemplo do «bloqueamento da contratação coletiva, que é promovido em simultâneo pelo Governo e por grande parte das associações patronais».

De acordo com a empresa de transporte rodoviário de passageiros que opera na margem sul do Tejo, a adesão à greve iniciada hoje de madrugada (03:00), foi de 19%.

Quanto ao processo de negociação salarial, a empresa TST, que já tinha decidido aplicar uma atualização salarial de 1% com efeito a partir de 01 de janeiro deste ano, salienta o facto de se tratar de um «valor acima da taxa de inflação esperada», não obstante a «perda de 1,6 milhões de passageiros em 2014».

Escusando a avançar dados sobre a adesão à greve, a FECTRANS - Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações admitiu que a participação no plenário realizado hoje de manhã no Laranjeiro contou apenas com cerca de uma centena de trabalhadores e que terá sido uma das mais fracas de sempre na história da empresa.

O sindicalista João Saúde, da FECTRANS, anunciou, no entanto, a intenção da federação de recorrer à via judicial face a alegadas irregularidades na aplicação dos tempos de disponibilidade, período de tempo em que o trabalhador, embora não esteja obrigado a permanecer no local de trabalho pode ser chamado pela empresa em caso de necessidade.

A FECTRANS anunciou ainda a marcação, para dia 16 de março, de um plenário geral de trabalhadores em frente à Autoridade para as Condição de Trabalho (ACT), em Almada.