A Haitong espera «reforçar a sua presença no mercado financeiro internacional» com a compra do Banco Espírito Santo Investimento, disse aquela empresa chinesa num comunicado enviado à Lusa.

Trata-se da primeira aquisição da Haitong fora da China – a operação custou 379 milhões de euros - e é também considerada uma das maiores operações do género efetuadas nos últimos anos por empresas financeiras chinesas.

Conforme o acordo celebrado na segunda-feira com o Novo Banco português, proprietário do BESI, a compra será feita através de uma subsidiária do grupo, a Haitong Internacional Holding Limited, criada em 2007 em Hong Kong para «realizar investimentos e desenvolver ações no estrangeiro».

No comunicado enviado à agência Lusa em Pequim, a Haitong descreve o BESI como um banco de investimento com «forte rentabilidade e alta eficiência operacional».

«A rede de distribuição e a base de clientes do BESI são boas», o que permitirá à Haitong «ganhar capacidade nos mercados maduros da Europa e nos mercados emergentes de América do Sul e África», destaca o comunicado.

Além das filiais em Londres, Madrid, Nova Iorque e Varsóvia, o BESI tem sete subsidiárias fora de Portugal, duas das quais no Brasil e outras tantas no Reino Unido.

A Haitong não indica se procurará aumentar as suas operações no Brasil ou em Angola, países com quem a China tem hoje «estreitas relações», mas assinala que «Portugal mantém boa comunicação económica e cultural com os outros países de língua portuguesa».

«A cooperação económica e comercial entre a China e Portugal, especialmente a cooperação entre as instituições financeiras, é de importância estratégica», acrescenta o comunicado.

Sedeada em Xangai, com uma maioria de capital proveniente do Estado e de empresas públicas, a Haitong é uma das mais antigas companhias de valores mobiliários da China, tendo sido fundada em 1988.

A compra do BESI pela Haitong é o quarto grande investimento chinês em Portugal, depois de a China Three Gorges ter pago 2.700 milhões de euros por 21,35% do capital da EDP, em 2012.

Os outros grandes investimentos chineses em Portugal, que no conjunto somaram mais de 1.800 milhões de euros, foram feitos pela State Grid, também na área da energia, e pela Fosun, nos setores dos seguros e da saúde.

Antes do BESI, a última grande aquisição financeira da China no estrangeiro foi a compra da sociedade de investimentos CSLA ao banco francês Crédit Agricole por 1.250 milhões de dólares (1.016 milhões de euros), em 2013.

Também no ano passado, o China Construction Bank comprou um banco no Brasil e em 2011, o Industrial and Comercial Bank of China (ICBC) adquiriu 80% do capital de um banco argentino.

A China é a segunda maior economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, e possui as maiores divisas externas do planeta, estimadas em cerca de 3.88 biliões de dólares (3,15 biliões de euros).