Os empresários portugueses mantêm a sua aposta em Angola apesar das dificuldades que enfrentam atualmente naquele mercado, fruto da crise económica desencandeada pela quebra das receitas petrolíferas, recordadando que o pior período já passou há vários anos.

"Temos que estar nos bons momentos e nos maus momentos. Eu vim cá num mau momento, cheguei a 11 de setembro de 1992 [no recrudescer da guerra civil], o que se está a passar agora não me aflige", relatou à agência Lusa em Luanda Francisco Teixeira, sócio-gerente da Metalúrgica do Tâmega, uma das 67 empresas portuguesas representadas na Feira Internacional de Luanda (Filda), que decorre até domingo, neste caso comercializando para Angola equipamento e máquinas industriais para pedreiras e tratamento de inertes.

"Fui sempre conquistado pelos angolanos e estou cá ao lado deles. Agora é que se vê quem é que aposta em Angola", atira.

Francisco Teixeira disse que "foi sempre conqusitado pelos angolanos" e que está "ao lado deles", recordando que, só entre 1998 e 2004, o mercado angolano chegou a representar quase 100 por cento das exportações da Metalúrgica do Tâmega, de Amarante, no norte de Portugal.

"Isso foi no boom, agora representa na ordem dos 10% a 20%", referiu o empresário, recordando que aquela metalúrgica fatura anualmente seis milhões de euros, mas que também acusa a crise angolana.

Numa altura em que a queda nas receitas com a exportação de petróleo está a acelerar, segundo o Governo angolano, a diversificação da economia, e nomeadamente a aposta na agricultura, Jorge Pereira vê uma oportunidade de negócio renovada para a venda das alfaias agrícolas, pulverizadoras e cisternas construídas pela Joper Tomix, em Torres Vedras.

"Acreditamos que isto é uma crise pontual e que se vai ultrapassar", assumiu o presidente do conselho de administração da empresa, mesmo admitindo o momento negativo vivido na relação económica com Angola, para onde a empresa exporta desde 1980.

Angola, segundo explicou à Lusa, "nos anos bons, representa cerca de três milhões de uros de vendas".

"Obviamente, este ano não vamos atingir esses números, sabemos porquê e isso é importante e esperamos que a situação se regularize o quanto antes", admitiu.

No mesmo sentido, as bicicletas Órbita, que todos os anos vendem entre 5.000 a 7.000 unidades em Angola, mantêm a presença na maior feira intersetorial angolana, à procura de novos negócios, mas assumindo que as vendas se reduziram nos últimos meses.

Segundo Vítor Sousa, delegado comercial da empresa de Águeda, depois do pico desta crise, aguardam agora pela retoma angolana.

"Estamos na expectativa de que as coisas sejam ultrapassadas o mais rápido possível e que volte tudo à normalidade. Acreditamos no mercado, mas temos a consciência de que as coisas pararam um bocadinho. Vamos continuar a lutar", assumiu o responsável da fabricante portuguesa de bicicletas, com 45 anos de laboração e 15 no mercado angolano.

Já a Salsicharia Estremocense, com um volume global de vendas anual de 10 milhões de euros, tenta estrear-se este ano nas vendas de enchidos, presuntos e carnes em Angola, depois dos primeiros contactos feitos na Filda de 2014.

A crise em Angola, defendeu Hugo Calhordas, responsável pelas exportações da empresa de Estremoz, onde trabalham cerca de 120 pessoas, representa "uma oportunidade", tendo em conta a redução da oferta que pode existir, mesmo com um mercado "mais difícil" devido à conjuntura económica do país, que dificulta pagamentos e transferências.

Ainda assim, já para este ano, a empresa espera conseguir exportar cerca de 50 mil euros de produtos tradicionais para Angola.