O Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, apelou aos agentes políticos, económicos, financeiros e sociais para aproveitarem «esta fase de maior confiança» que Portugal tem pela frente, mas sublinhou que «ninguém tem certezas sobre o futuro».

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«Não há nenhuma razão para sermos nós próprios, acabrunhados, a desconfiar e a criar mais incerteza e desconfiança sobre o futuro», referiu.

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Falando durante a inauguração das novas instalações da têxtil Junius, do Grupo Valerius, onde foi recebido com palmas pelos trabalhadores, Coelho admitiu, no entanto, que o futuro «é, por definição, indeterminado».

«Quem aparece a dizer que sabe bem o que aí vem evidentemente que só dá uma dimensão grande à sua ignorância. O futuro é, por definição, indeterminado, mas isso não significa que nós precisamos de viver paralisados por essa incerteza», referiu.

Enfatizou que «não há razão nenhuma» para os portugueses não estarem confiantes.

O primeiro-ministro apontou o grupo Valérius como um exemplo a seguir, já que «conseguiu reerguer muitas empresas que pareciam condenadas ao fracasso».

Disse que «o essencial» do ajustamento do Estado está «cumprido» e que foram também lançadas «as sementes» da reforma da economia.

«Devemos colocar as nossas energias a recuperar as empresas que são viáveis, para manter e aumentar os empregos», referiu, admitindo que há ainda «um desafio muito grande a fazer em todo o tecido empresarial».

Para o primeiro-ministro, a aposta deve ser na inovação e na incorporação de valor.

«Não podemos competir basicamente pelos preços. Não é num modelo de salários baixos e de preços baixos que conseguimos ser muito competitivos globalmente», disse.

A fábrica que hoje foi inaugurada em Barcelos permitiu a criação de 100 novos empregos, tendo o grupo Valérius, atualmente, 625 trabalhadores.