O empresário Jaime Antunes, um dos três jornalistas fundadores do Diário Económico, manifestou-se esta sexta-feira disponível em apostar no jornal caso um grupo de investidores decida recuperar a edição em papel.

“Não há hoje em cima da mesa nenhuma solução concreta que esteja a ser discutida e em que eu esteja envolvido. Mas, se houver uma possibilidade de reunir um grupo de gente que esteja interessado em, eventualmente, criar uma solução de viabilização do jornal, estarei disponível dentro das minhas possibilidades em colaborar em qualquer solução”, disse Jaime Antunes à Agência Lusa.

O jornal Diário Económico publica esta sexta-feira a sua última edição em papel, passando a funcionar apenas na edição "online" e no formato de televisão, a Económico TV.

Para o atual empresário, que fundou o jornal, juntamente com os jornalistas Goulart Machado e Silvério do Canto, o dia de hoje é vivido “com uma grande tristeza”, mas salienta, que como os próprios jornalistas do Económico referem o “projeto não morre aqui”, continuando o online e o canal de televisão.

“É uma pena ver o jornal que tinha potencial, tem boa credibilidade no mercado. Há que fazer homenagem a todos os profissionais que fizeram o jornal ao longo dos anos, é um jornal que está no mercado há 26 anos, que foi percursor em muitas coisas, quer na informação económica, e também o primeiro jornal diário de economia a ter uma mulher como diretor, La Salete Fernandes, é um jornal que tem uma história pela forma como apareceu é um jornal de jornalistas”, lembrou.

Para o antigo jornalista, a atual crise do jornal deve-se à gestão que foi feita, explicando que, ao longo dos anos, o periódico foi mudando de acionistas que foram imprimindo uma lógica de gestão ao mesmo.

“Com o último acionista houve um desmoronar do mesmo. A Ongoing [Strategy Investments ‘holding’ do grupo que detém o Diário Económico], com toda a crise que passou, refletiu-se também na gestão do grupo, a explicação só pode passar por aí, porque o produto em si, os jornalistas, os profissionais, fizeram sempre um jornal de qualidade, um jornal credível”, afirmou.

Também o antigo jornalista Goulart Machado, se mostrou esta sexta-feira "profundamente triste" com os acontecimentos recentes no jornal.

“Vejo isto com uma grande tristeza e com alguma incompreensão de como se chegou a uma situação destas”, disse Goulart Machado à agência Lusa.

Para o fundador do jornal "salmão", o Económico “foi sempre uma marca respeitada, um jornal credível, que tinha condições para se manter como um jornal credível, necessário, útil e é incompreensível como tenha chegado a esta situação”.

A decisão de suspender a publicação do jornal em papel foi comunicada quinta-feira aos trabalhadores pelo administrador Gonçalo Faria de Carvalho, num plenário, no qual prometeu também apresentar hoje mais pormenores sobre o futuro do grupo, disse à Lusa fonte da redação.

De acordo com a mesma fonte, Gonçalo Faria de Carvalho transmitiu aos trabalhadores que não afasta a possibilidade de, depois de uma reorganização, voltar a ser retomada a publicação do jornal em papel.

No dia 10 de março, os trabalhadores do Diário Económico realizaram uma greve de 24 horas para reivindicar o pagamento dos salários em atraso, pois, “apesar da violação de que são alvo” em relação "a um direito elementar", “têm assegurado o regular funcionamento da empresa”, disse então à Lusa o delegado sindical e membro da Comissão Instaladora da Comissão de Trabalhadores do Diário Económico, Paulo Jorge Pereira.

A 2 de março, a Ongoing Strategy Investments, "holding" do grupo que detém o Diário Económico, entrou em processo especial de revitalização de empresas devido às dificuldades financeiras, tendo sido nomeado já um administrador judicial provisório.

A direção editorial do Económico, que apresentou a demissão do cargo a 8 de março, deixa esta sexta-feira uma mensagem na última página do jornal impresso, na qual começa por agradecer a todos os leitores, parceiros e anunciantes, lembrando que têm em mãos a última edição da série em que o Diário Económico é impresso em papel.