As centrais sindicais não olham com bons olhos para a proposta do Governo, discutida esta quarta-feira em concertação social, que passa por prolongar por mais dois anos o alargamento excecional e transitório dos contratos a prazo por mais dois anos.

A CGTP é perentoriamente contra, mas a UGT diz que entre a precariedade e o desemprego, mais vale a primeira.

«O Governo quer fazer da precariedade não uma exceção mas uma regra. Primeiro prolongou excecionalmente até 2014, agora quer prolongar excecionalmente até 2016. A continuar assim, prolonga-se por tempo intemporal», referiu Arménio Carlos à entrada da reunião com o Governo.

Para o sindicalista, o prolongamento extraordinário significa «continuar a manter um modelo baseado em baixos salários e trabalho precário», já que, sem isto, «muitos destes trabalhadores iam passar a efetivos porque estão a ocupar postos de trabalho permanentes».

A UGT concorda que a medida «vem agravar precariedade» e lembra que já em 2011, quando o primeiro prolongamento excecional foi proposto, a união sindical manifestou «fortíssimas reservas» à proposta, que também tinha na altura caráter excecional e transitório.

«Hoje brincamos muito com as palavras. Depois do irrevogável temos o excecional e transitório, que se mantêm exatamente nos mesmos termos», ironizou.

A UGT volta a «manifestar reservas», mas isso «não significa rejeição absoluta», sublinhou Carlos Silva. «Entre desemprego, que é uma chaga social, e precariedade, que é outra chaga social, costuma-se dizer que venha o diabo e escolha. Mas há uma pior que a outra: é preferível termos contratos precários que não termos contrato nenhum».

Do lado dos patrões, o argumento é o mesmo: esta opção vai permitir manter mais pessoas empregadas.