A Europa tem que dar uma resposta «decisiva» para aumentar a sua produtividade global, agora que se entrou na fase de «estabilização da turbulência» dos mercados financeiros, defendeu esta quinta-feira o vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio.

Em declarações à Lusa em Madrid, Vítor Constâncio destacou que para este processo, essencial para o crescimento a médio prazo, são essenciais reformas públicas, mas também alterações e reestruturações empresariais, que as tornem mais competitivas no mercado internacional.

«Atingimos uma fase de estabilização da turbulência nos mercados financeiros europeus. E sobretudo atingimos uma fase em que volta a haver confiança internacional nos ativos europeus», disse.

Um interesse que abrange empresas e dívida pública, com um «influxo de capitais do resto do mundo que «é muito significativo», tendo contribuído já para «melhorar a situação dos países e das respetivas dívidas mas também dos ativos bancários».

Segundo o vice-presidente do BCE «isso contribuiu para a recuperação economia» que apesar de ser «muito suave» começa a acontecer, marcando um ciclo em que «a fase mais aguda foi ultrapassada».

«Agora o problema tem que ser encarado do ponto de vista do crescimento a médio prazo», disse.

Constâncio destacou o facto de a Europa viver uma «crise demográfica» o que reduz as possibilidades de crescimento potencial e exige «uma resposta decisiva no que diz respeito ao aumento da produtividade global dos fatores».

«Isso exige restruturações empresariais e decisões das empresas para aumentar a produtividade no sentido de se tornarem mais competitivos no ambiente internacional», disse, considerando que esse «não é propriamente o domínio de intervenção do BCE».

«Esta fase é mais de reformas e políticas públicas dos governos para conseguirem esse salto de produtividade que é essencial», disse ainda.

Questionado sobre o processo eleitoral europeu em curso, Vítor Constâncio referiu-se apenas aos «receios» de que o voto leve a «uma maioria no parlamento europeu, menos sólida a favor da continuação e das reformas europeias para consolidar a integração europeia».

Vítor Constâncio falava hoje em Madrid à margem de uma conferência que proferiu sobre o processo de união bancária na UE, organizada pelo Centro de Estudos Bancários da Faculdade de Economia da Universidade de Navarra.