Portugal evoluiu nas infraestruturas e nas condições de vida, mas ainda evidência níveis baixos de organização e eficiência coletiva que dificultam a obtenção de resultados, defendeu esta quinta-feira o especialista Paulo Madruga.

Um dos coordenadores do estudo «25 anos de Portugal Europeu», divulgado em maio, disse que há uma lógica de »copo meio cheio ou copo meio vazio, de semi sucesso, mas mais semi falhanço, do que foi a trajetória» do país após a adesão à União Europeia (UE).

«Melhorámos em muitas áreas, em tudo o que tem a ver com as condições, ou o hardware, mas já não foi tão interessante o nosso processo de convergência em termos de resultados, ou as questões mais relacionadas com o software», resumiu o professor do ISEG da Universidade Técnica de Lisboa.

Paulo Madruga falava à agência Lusa a propósito do 2.º Encontro Presente no Futuro, organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, e que se realiza a 13 e 14 de setembro, em Lisboa, com tema «Portugal Europeu. E agora?» e cujo debate vai recorrer aos resultados do estudo.

«Encontramos uma ou duas áreas onde ainda há muito por fazer, normalmente associadas a aspetos mais de natureza organizacional e de eficiência coletiva», salientou Paulo Madruga.

O país tem um nível «muito baixo» de eficiência de funcionamento da sociedade e da relação entre agentes económicos, o que, «de alguma forma, nos atrofia no momento de apresentar resultados», acrescentou.

«Evoluímos muito em tudo o que é infraestruturas, condições de vida, o que tem a ver com as questões ambientais, rede de estradas, condições de equipamentos na saúde e educação», mas nos resultados, apontou Paulo Madruga.

Com os apoios da União Europeia, Portugal conseguiu ter, por exemplo, escolas e rácios de professor-aluno «relativamente bons», mas continua a registar um insucesso escolar «relativamente elevado» na comparação com a Europa.

Na economia, a produtividade média das empresas portuguesas é pouco mais de metade da média da Europa e Portugal tinha uma cultura de pouca cooperação entre agentes económicos, o que já se alterou um pouco, havendo maior abertura e cooperação.

Quando se fala da situação de crise económica e do endividamento, o coordenador do estudo, realizado pela consultora Augusto Mateus Associados, considera importante realçar que «os agentes económicos, as famílias as pessoas não são culpadas, pois reagem a estímulos e às condições que lhes são proporcionadas».

E, nos últimos anos, as condições eram aquelas resultantes da integração europeia, a moeda única, a estabilidade da taxa de câmbio, o acesso ao mercado alargado e ao crédito com juro baixo, o que incentivou o consumo e o endividamento.

Quanto ao futuro, «os tempos que ai vêm não são fáceis, mas também são desafiantes», segundo Paulo Madruga.

O especialista recordou que a UE funciona por ciclos e em 2014 inicia-se um novo, com aposta no crescimento inteligente, inclusivo e sustentável, que pode contribuir para resolver o problema da coesão económica e territorial de Portugal.