A proposta de lei do Governo, que vai ser discutida esta quinta-feira no Parlamento, define «os termos e as condições para o acesso e exercício da atividade de ama».

Quando a proposta foi aprovada em Conselho de Ministro, no passado dia 18, o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social explicou que iria ser criada «uma nova profissão», que «deixa de estar obrigatoriamente abrangida pelo regime de Segurança Social dos Trabalhadores Independentes», mas mantém a obrigatoriedade da autorização do Instituto da Segurança Social poder ser exercida.


A Associação dos Profissionais no Regime de Amas considera que a proposta do Governo para regular a atividade de ama vai «descartar as profissionais» que trabalham diretamente para a Segurança Social e criar um «regime de precariedade absoluta».

Para a associação das Amas, esta proposta é «muito grave e uma verdadeira afronta» porque põe em causa os direitos das profissionais e das crianças, impõe «a obrigatoriedade dos falsos recibos verdes e desvincula da Segurança Social as amas de creche familiar».

«O ministério pretende passar as amas para um regime de precariedade absoluta e descartar as profissionais que trabalham diretamente para a Segurança Social, o que irá prejudicar o apoio que é prestado a crianças de famílias com baixos rendimentos», sustenta em comunicado.

Num parecer sobre a nova legislação, a APRA recorda que «desde 1984 as amas têm formalmente trabalhado para o ISS através de falsos recibos verdes, como se de prestadoras de serviços se tratassem, o que não corresponde à realidade nem nunca correspondeu».

Justifica ainda que «todas as condições de acesso, permanência e cessação» foram até agora definidas pela Segurança Social, que o horário, local de trabalho e retribuição tem sido «fixado unilateralmente pelo ISS e que, mesmo quando apresentam justificação de faltas perdem sempre retribuição».

Sublinha ainda que o desenvolvimento do trabalho das amas «é feito de acordo com diretivas claras e específicas» do ISS, «que fiscaliza o seu cumprimento, com total subordinação jurídica», e que até os equipamentos e instrumentos de trabalho são definidos pela Segurança Social.

Segundo a associação, os serviços dos centros distritais de várias zonas do país responsáveis pela inscrição das crianças não o fazem, alegando que as amas não têm vagas. Para a associação, as amas que trabalham há décadas para o Instituto da Segurança Social foram «tratadas como descartáveis, o que é inaceitável e será um drama para centenas de profissionais».