Os hospitais e as instituições do ensino superior estão «preocupados» com o aumento do valor a descontar para a Caixa Geral de Aposentações, antevendo «decisões difíceis» e despedimentos nos Politécnicos.

Os hospitais integrados no setor público administrativo, enquanto entidades empregadoras, foram informados pela Direção Geral do Orçamento (DGO) de que o desconto que fazem sobre os vencimentos dos funcionários iria aumentar de 20% para 23,75% em 2014, disse à Lusa a presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

Marta Temido adiantou que alguns hospitais já estão a preparar o orçamento para submeter à Secretaria de Estado da Saúde e à DGO.

No entanto, reconhece que é uma ginástica muito difícil, num orçamento que já é apertado e que terá que contar ainda com a reposição dos subsídios aos funcionários, que no ano passado não estavam representados em termos orçamentais.

Não havendo reforço dos orçamentos, antes pelo contrário, vamos ter que encontrar forma de encaixar esse acréscimo nos orçamentos que nos são dados, é preciso fazer uma reorganização, disse, sublinhando que um aumento de 3,75 pontos percentuais tem um «peso muito significativo» no orçamento dos hospitais.

«Não é possível continuar a fazer as coisas da mesma maneira. Face ao que se antecipa não é possível trabalhar como trabalhamos», admite.

O que essa reorganização implica dependerá da margem de manobra das instituições, afirma a responsável, reconhecendo no entanto que há «decisões complicadas» que vão ter que ser tomadas neste contexto e que o momento é «muitíssimo difícil».

O mesmo problema se põe ao nível do ensino superior, que já anunciou que irá lutar contra o aumento dos descontos para a CGA.

Em declarações à Lusa, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Técnicos (CCISP) disse que a medida vai obrigar ao despedimento de professores e funcionários: «Dar menos dinheiro às instituições é abrir a porta para aumentar o desemprego», alertou o presidente do CCISP.

Para os politécnicos, as medidas previstas na proposta de OE2014 podem representar um corte superior a 20 milhões de euros: um corte direto próximo dos 2,8% (que corresponde a cerca de 10 milhões de euros) e outros 10 milhões com o aumento da comparticipação para a CGA.

Já o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas decidiu reunir-se para discutir as propostas conhecidas na terça-feira, durante uma reunião no Ministério da Educação e Ciências, devendo divulgar apenas na segunda-feira a sua posição sobre estas medidas.