Um hipermercado que vai abrir, em janeiro, em Vila Praia de Âncora, Caminha, num investimento de 6,5 milhões de euros vai empregar 80 trabalhadores, o equivalente a cerca de 10% dos desempregados do concelho, disse à Lusa o autarca local.

«Neste momento, os 80 postos de trabalho que vão ser criados com a abertura do hipermercado do grupo Sonae representam cerca de 10% do total de desempregados do concelho. É um investimento muito importante no combate que temos feito a esse problema», afirmou o socialista Miguel Alves.

Segundo números avançados pelo autarca, atualmente o concelho tem cerca de 812 desempregados.

O processo de candidaturas para a admissão de pessoal para o novo hipermercado começou quarta-feira e, garantiu o autarca, serão recrutados «prioritariamente» os trabalhadores do concelho. «A Câmara Municipal estabeleceu um acordo com a Sonae no sentido de que estes 80 postos de trabalho sejam ocupados prioritariamente por pessoas do concelho, muitas delas inscritas na Bolsa de Emprego da autarquia», avançou.

Miguel Alves defendeu que abertura desta superfície comercial vai ser «acompanhada» da implantação de outros investimentos naquela zona que «já apresentava alguns sinais de abandono», referindo-se ainda à possibilidade de criação de parcerias com empresas locais, sobretudo com os produtores locais.

Adiantou que «o supermercado ainda não abriu e já vários estabelecimentos comerciais estão a abrir naquela malha urbana», na zona norte de Vila Praia de Âncora, a freguesia mais populosa do concelho, com mais de cinco mil habitantes.

«São Pequenas e Médias Empresas, o que é muito importante, porque são elas que sustentam a economia», declarou.

Para além deste investimento, Miguel Alves sublinhou o início de laboração no parque industrial da Gelfa, há cerca de dez dias, de uma fábrica de confeções que empregou mais 25 trabalhadores.

A nova superfície comercial do grupo SONAE, em construção em Sandia, Vila Praia de Âncora, tem uma área total de quase 12 mil metros quadrados, cerca de três mil metros de área comercial.

O pedido de licenciamento foi anunciado pela Câmara Municipal, em fevereiro passado, tendo sido alvo de fortes críticas por parte dos empresários do concelho.

Contatado pela Lusa, o Movimento de Empresários de Caminha que lidera a contestação sustenta-se nos estudos da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCSP) e da Universidade Católica Portuguesa (UCP) que indicam que, «por cada posto de trabalho criado nesta grande superfície comercial, serão extintos três postos de trabalho no comércio tradicional», face à quebra do volume de negócios.

O presidente, Fernando Azevedo, manifestou «grande preocupação» com impacto da abertura desta superfície comercial no tecido empresarial sobretudo «por estar inserida em plena malha urbana do concelho».