Há cerca de 40 milhões de jovem dos 35 países da OCDE que não trabalham, não estudam e não estão em formação. São quase 15% do total, sendo que mais de dois terços não estão, seuqer, ativamente à procura de emprego. Em Portugal, a taxa de desemprego entre os jovens rondou os 28% em agosto. 

Na sua oitava edição, o relatório Society at a Glance traça o panorama e a tendência dos indicadores sociais nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), assim como na Argentina, Brasil, China, Índia, Indonésia, Rússia, Arábia Saudita e África do Sul.

A conclusão é que "a Grande Recessão provocou uma perda esmagadora de empregos, e os jovens foram particularmente atingidos". Diz o estudo que a recuperação tem sido incapaz de devolver empregos aos jovens de entre 15 e 29 anos, em particular os menos qualificados.

Segundo dados recentes do Eurostat, Portugal é o décimo país europeu, a par da Bélgica, com a maior percentagem de jovens que nem trabalham nem estudam. 

Portugal tem, de resto, o segundo valor mais elevado da União Europeia de jovens que consideram ter sido marginalizados devido à crise económica (86%, ou seja, oito em cada dez). E 41% sentiram-se mesmo "empurrados" a emigrar.

"Oito anos após o início da crise, ainda há cerca de 40 milhões de jovens sem trabalhar, sem estudar e sem estar em formação", pode ler-se no prefácio do relatório da OCDE, que alerta que esta inatividade dos jovens pode gerar isolamento e afastamento da sociedade e pôr em risco a coesão social.

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Segundo o estudo, quase um em cada dez empregos que até 2007 eram ocupados por jovens com menos de 30 anos perderam-se até 2014, sendo que nos países mais afetados pela crise - Espanha, Grécia e Irlanda - o número de jovens empregados diminuiu para metade no mesmo período.

Em média, 14,6% dos jovens nos países da OCDE não trabalhavam, não estudavam e não estavam em formação (NEET, na sigla em inglês) em 2015, percentagem que, tendo em conta o peso dos jovens nos vários países, subia para 17%.

A percentagem de jovens NEET nos países mais afetados pela recessão era particularmente alta: entre um quarto e um quinto de todos os jovens estavam sem trabalhar e sem estudar na Grécia, Itália e Espanha.

Em Portugal, onde a taxa de NEET chegou a atingir os 19% entre 2008 e 2013, a situação melhorou nos últimos anos e em 2015 estava nos 15%, ainda assim acima da média anterior à crise (14%).