O discurso de quatro páginas que Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, preparou para este sábado não continha qualquer referência ao que chama «a provocação» de Carlos Silva, secretário-geral da UGT. Mas ao subir ao púlpito, na Praça da Liberdade, no Porto, não conseguiu ignorá-la. Arménio Carlos ainda não lera, mas já alguém lhe contara que Carlos Silva tinha acusado a CGTP de ser «uma organização autofágica».

Confronto entre sindicatos à parte, o secretário-geral da CGTP acusou, este sábado, o Governo de querer aproveitar o período do Verão, o futebol, os santos populares e as férias para, «sorrateiramente e pela calada», tentar desmantelar «um dos alicerces fundamentais da nossa democracia, a contratação coletiva».

Arménio Carlos, que falava na manifestação organizada pela CGTP no Porto, que reuniu milhares de pessoas vindas de vários distritos do país, considerou que o Governo sabe que está «condenado» e que, por isso, «quer avançar a toda a velocidade com mais medidas facilitadoras dos despedimentos, do embaratecimento dos salários e da generalização da precariedade dos vínculos laborais».

«A nova troika formada pelo Governo, confederações patronais e UGT, com a proposta de lei que se encontra em discussão até ao dia 26 de junho, pretende destruir a contratação coletiva, reduzir direitos e retribuições e prolongar o período para a redução do valor do trabalho extraordinário até final do ano», sustentou, citado pela Lusa.

Para o líder da CGTP, «este é um processo perverso que pretende favorecer a relação individual de trabalho para destruir a contratação coletiva conquistada e consolidada por gerações de homens e mulheres antes e depois do 25 de abril».

Arménio Carlos considerou, ainda, que este é «um momento que convoca também cada um de nós para travar o ataque à Segurança Social, que tem como finalidade pôr em causa os seus princípios - pública, universal e solidária. Ao admitir o princípio da capitalização, através do plafonamento, para as gerações mais jovens, o PSD e o CDS estão a tentar pôr em causa a sustentabilidade financeira da Segurança Social. Mas estão também a promover um ataque à solidariedade intergeracional e a tentar impor reformas de miséria para todos».

Para Arménio Carlos, este é também «um momento que exige que todos os trabalhadores dos setores público e privado, independentemente da sua filiação sindical, convirjam na luta contra a revisão laboral, que visa a destruição da contratação coletiva, a redução dos salários e das pensões, o aumento do horário de trabalho, os despedimentos e o roubo dos direitos».

O secretário-geral da CGTP referiu que a manifestação deste sábado no Porto é a «demonstração inequívoca» de que os portugueses «exigem a demissão do Governo e a convocação de eleições antecipadas».

«A legitimidade política deste Governo para continuar em funções é igual a zero. Eles sabem disto e sabem que o seu tempo de governação se estreita», acrescentou Arménio Carlos.

Na ação da CGTP, que começou na Praça do Marquês e desfilou depois até à Praça da Liberdade, na baixa portuense, participaram milhares de pessoas oriundas dos distritos do Porto, Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Guarda, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.