O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social admitiu esta quarta-feira a possibilidade de o Governo recorrer a outras empresas do setor privado para «encontrar postos de trabalho para os desempregados em Portugal».

«Uma parte significativa do modelo social europeu passa pelo Estado conseguir garantir medidas ativas de emprego, estímulos, e conseguir muitas vezes até fazer a ligação entre os desempregados que existem e as ofertas no mercado de trabalho», disse Pedro Mota Soares, citado pela Lusa.

Para isso, «temos de trabalhar e os serviços públicos de emprego já o tem vindo a fazer», de forma a «ter a capacidade de ir buscar outras empresas ao setor privado, para podermos efetivamente encontrar postos de trabalho para os desempregados em Portugal, muitas vezes especialmente para os desempregados que estiveram muito tempo fora do mercado de trabalho, e que têm uma dificuldade maior», defendeu.

O governante considerou que essa medida «será certamente importante para essas pessoas».

«Queremos fazer esse caminho, discutimo-lo ontem com os parceiros sociais. E posso dizer que na base de uma muita alargada opinião, parece-nos que esse é o caminho que devemos seguir», adiantou, escreve a Lusa.

Pedro Mota Soares falava aos jornalistas no final de uma cerimónia que assinalou a transferência de terrenos e equipamentos da Câmara de Lisboa para a gestão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, relativos ao albergue Mitra, que se pretende tornar num polo de inovação social.

À margem da ocasião, o ministro do Emprego divulgou também que o Estado pretende «alocar fundos comunitários para a dimensão da inovação social, para que as instituições sociais possam conseguir ter um conjunto de novas respostas».

Assim, «no próximo quadro comunitário queremos criar um Fundo de Inovação Social ao qual alocaremos cerca de 122 milhões de euros», referiu.

Segundo o responsável, o Estado já atribui cerca de um milhão e 200 mil euros por ano em contratos que faz com instituições de solidariedade para ter respostas de creches, lares, serviços de apoio domiciliários e auxílio a pessoas com deficiência.

«É uma parte significativa do Estado Social em Portugal e que é feita com a maior proximidade e qualidade pelas instituições sociais, muitas vezes melhor do que o Estado ao nível central», reconheceu.