No primeiro trimestre de 2014, o Instituto Nacional de Estatística contabilizou 4.426,900 pessoas empregadas, o que significa um aumento homólogo de 1,7%. Já o Instituto do Emprego e Formação Profissional registou 15.643 ofertas de emprego em maio, mais 22% do que há um ano e mais 10,8% do que em abril.

As empresas de recrutamento confirmam o aumento de vagas e os empresários, sobretudo do retalho têxtil, indústria automóvel, banca e tecnologias de informação, procuram candidatos com licenciatura ou mestrado, oferecendo uma média salarial de 1300 euros ilíquidos, diz a Randstad ao Jornal de Notícias.

A questão é que estes dados oficiais não têm em conta as medidas ativas de criação de emprego e as ações de formação profissional, financiadas pelo Estado e responsáveis por 90% das respostas que o IEFP dá aos seus utentes.

Em abril eram 161 868 os desempregados que se encontravam «ocupados» com esses programas, segundo um estudo do economista Eugénio Rosa, da CGTP.

Este número cresceu 115,3% no espaço de pouco mais de um ano, o que resultou num esgotamento de 96% dos 225 milhoes de euros disponíveis para o programa «Estágios Emprego», nos primeiros cinco meses deste ano, para pagar os jovens colocados.

Os contratos «Emprego Inserção», «Estímulo Emprego» ou estágios profissionais IEFP são contabilizados como emprego.

Assim a taxa de desemprego situou-se nos 15,1% no primeiro trimestre caso fossem somados os cerca de 162 mil formandos, a taxa passaria para os 18,2%. Se a estes valores se juntar a emigração, que no primeiro trimestre atingiu 61,7 mil portugueses com idade até aos 34 anos, é «fácil compreender por que razão o desemprego está a diminuir nas estatísticas», afirma Eugénio Rosa.