O secretário-geral da CGTP garantiu esta sexta-feira que os funcionários dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) vão apresentar-se ao serviço a 02 de janeiro «para trabalhar», apesar de anunciado para o próximo mês a subconcessão à Martifer.

A convicção do líder da CGTP foi demonstrada no final da sétima manifestação realizada pelos trabalhadores dos estaleiros desde junho de 2011 e que hoje juntou na cidade de Viana do Castelo cerca de 2.500 pessoas a reclamarem a suspensão da subconcessão, processo que prevê o fecho da empresa e o despedimento dos 609 trabalhadores.

«Vão ver que no dia 02 de janeiro lá estarão estas centenas de trabalhadores a entrarem tranquilamente, logo pela manhã, nos locais de trabalho, nos estaleiros, para trabalhar e para produzir. A reafirmar que não vão baixar os braços, que não querem subsídios, não querem indemnizações, querem trabalhar, caramba», insurgiu-se Arménio Carlos.

O líder da intersindical, que participou na manifestação de hoje, acusa o ministro da Defesa Nacional de tentar «aliciar» os trabalhadores dos ENVC com um plano de rescisões amigáveis ao qual já aderiram cerca de 80 funcionários.

«Respeitamos a opinião pessoal de cada trabalhador. Mas serão 80 em 620, a esmagadora maioria continua a defender os postos de trabalho. Até agora está demostrado que [o plano de rescisões amigáveis] é um enormíssimo fracasso», garantiu Arménio Carlos, exigindo a viabilização da empresa e o início «imediato» da construção dos navios asfalteiros para a Venezuela por 128 milhões de euros nos ENVC.

A CGTP confirmou ainda o apoio à iniciativa da comissão de trabalhadores dos ENVC, que hoje anunciou um protesto à porta da residência oficial do primeiro-ministro, pelas 15:30 de 18 de dezembro.

Nesta ação de luta, em que a população de Viana do Castelo também está a ser convidada a participar, os trabalhadores pretendem reclamar a Pedro Passos Coelho a avocação deste processo e a suspensão do encerramento e da subconcessão da empresa.

O grupo Martifer anunciou que vai assumir em janeiro a subconcessão dos terrenos, infraestruturas e equipamentos dos ENVC, pagando ao Estado uma renda anual de 415 mil euros, até 2031, conforme concurso público internacional que venceu.

A nova empresa West Sea deverá recrutar 400 dos atuais 609 trabalhadores, que estão a ser convidados a aderir a um plano de rescisões amigáveis, que vai custar 30,1 milhões de euros.

Em função da adesão a este plano, poderá ser lançado um despedimento coletivo na empresa.