A União de Sindicatos de Viana do Castelo (USVC) reconheceu esta terça-feira que «ninguém foi violentado a sair» dos estaleiros, embora admitindo que a rescisão amigável dos trabalhadores possa ser tida como um «despedimento coletivo encapotado».

«Podemos considerar isso [despedimento coletivo encapotado], não vamos fazer aqui demagogia», disse Branco Miranda, da USVC, questionado no parlamento pela deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Aiveca sobre se o processo de rescisões amigáveis nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) poderia ser visto como um despedimento coletivo encapotado.

A união sindical fala esta tarde na comissão de inquérito parlamentar sobre o processo que levou à extinção e subconcessão dos ENVC.

Reconhecendo que a «extinção pura e simples da empresa» seria «um desastre social para a região», Branco Miranda disse que «ninguém foi violentado a sair porque se tratava de rescisões amigáveis» e os trabalhadores poderiam «tentar acautelar os seus direitos ou cair num precipício».

O sindicalista reconheceu contudo que gostaria de ver a empresa mantida sob a esfera estatal, seja de forma total ou parcial.

«Nós dissemos sempre e continuamos a dizer que o ideal para Viana do Castelo e para o país era que a empresa ficasse nas mãos do Estado, se não na totalidade pelo menos com a maior parte. Tinha a ganhar a região, o país, a economia em toda a sua plenitude», declarou Branco Miranda.

A comissão de inquérito foi criada potestativamente após proposta dos deputados do PCP, do BE e de deputados do PS e tem no seu objeto que deve «indagar» as «circunstâncias e os termos em que foi decidida pelo Governo a extinção da empresa», com o despedimento de todos os seus trabalhadores, e em que foi efetuada a concessão dos respetivos terrenos ao grupo Martifer.