O presidente da Câmara de Viana do Castelo acusou esta sexta-feira o ministro da Defesa de «reduzir» os trabalhadores dos estaleiros navais a «reformados compulsivos» e «desempregados à força», que ficam agora ao «Deus dará».

Estaleiros de Viana: 93% dos trabalhadores já rescindiu

Numa declaração emocionada aos jornalistas, o autarca socialista José Maria Costa reagia à adesão praticamente total dos trabalhadores dos Estaleiros Navais Viana do Castelo (ENVC) ao plano social de rescisões voluntárias, no âmbito do fecho da empresa pública, cuja validade terminou hoje, às 16:00.

«A dignidade do trabalho e o seu valor social foi matéria que foi descuidada, tendo este processo resvalado para a mercearia laboral, configurando mais um trespasse vergonhoso, fugindo das responsabilidades sociais, traindo a dignidade do Estado e do elevado sentido do interesse público que qualquer governante deve prosseguir», citado pela Lusa, criticou.

Numa declaração com várias paragens, motivadas pela emoção e lágrimas, José Maria Costa voltou a criticar o ministro da Defesa da Nacional, que acusou de «desmantelar uma empresa única, uma arte industrial singular e uma atividade que nos vêm dos confins da história», através de um «despedimento coletivo sem alma».

«Este ministro da Defesa encontrou 620 pessoas crentes no valor da sua profissão, com orgulho no seu trabalho e reduziu estas pessoas a reformados compulsivos e desempregados à força, é certo, com uns trocos no bolso», disse José Maria Costa.