A redação do «Diário de Notícias» considera que o despedimento de 24 trabalhadores significa o fim da cobertura nacional do jornal e a maioria dos jornalistas exige que a direção editorial assuma responsabilidades na quebra de vendas.

Reunida esta sexta-feira em plenário, a redação do «Diário de Notícias» (DN) criticou o desinvestimento em secções que «seriam fundamentais para a qualidade de um jornal diário generalista», mas também estratégicas para «ganhar espaço à concorrência», lamentando ainda o fim da cobertura de algumas áreas dentro das próprias secções.

«Os jornalistas consideram também que os despedimentos colocam em dúvida a existência de um projeto editorial sólido e que garanta o futuro do Diário de Notícias», refere o comunicado do plenário de redação, a que a agência Lusa teve acesso.

Num ponto que não teve a unanimidade do plenário, mas foi acolhido pela maioria, os trabalhadores exigiram à direção editorial que «assuma também as suas responsabilidades na quebra de vendas e de qualidade do jornal», indicando que as razões externas não justificam tudo o que de negativo aconteceu ao matutino.

Os jornalistas apelam ainda à direção do jornal que transmita ao conselho de redação qual o projeto editorial definido para o DN.

«Os trabalhadores afirmaram ainda que a independência editorial do DN face a todos os poderes ¿ nomeadamente aos representados no seu corpo acionista ¿ é imperativa para a afirmação do jornal», refere o comunicado.

Considerando insuficientes as informações prestadas pelo Conselho de Administração, os trabalhadores lamentam que não se tenham procurado alternativas ao despedimento coletivo, repetindo que se desconhecem os critérios conduzidos no despedimento.

Para a redação, o despedimento coletivo «põe em causa a qualidade editorial do jornal» e coloca em dúvida «a existência de um projeto editorial sólido e que garanta o futuro do DN».

Os jornalistas lamentaram ainda o tratamento editorial que foi dado pelo Diário de Notícias aos despedimentos do próprio grupo, criticando «o silêncio da direção nas páginas do jornal sobre o assunto».

Em relação ao futuro, a redação refere não compreender como poderá passar pelo jornal «online», uma vez que «houve um desinvestimento na área, com o despedimento de trabalhadores que tinham formação multimédia» e com a «tendência de redução da infografia».

Os jornalistas do DN ficaram de sugerir ao conselho de redação formas de luta para dar visibilidade ao protesto contra o despedimento coletivo.

O grupo de comunicação social Controlinveste, detentor do «Jornal de Notícias», «Diário de Notícias», TSF e «Jogo», entre outros, anunciou na semana passada que vai avançar com o despedimento de 160 trabalhadores, 20 dos quais através de rescisões.