Certamente já pensou por diversas vezes que passa a maior parte do tempo do seu dia-a-dia no trabalho e fica frustrado se ainda por cima tem de lidar com colegas que são autênticos inimigos. A questão é que para manter o seu posto de trabalho não convém entrar em conflitos. Ainda para mais nesta conjuntura de crise. Há que despertar o instinto de sobrevivência profissional e lidar bem com os inimigos.

Afinal de contas, as relações laborais são isso mesmo -laborais. Têm apenas carácter profissional e não pessoal, pelo que não deve levar as coisas a peito. Trabalho é trabalho.

É natural, ainda assim, que fique beliscado e não consiga parar de pensar porque é que estão a agir assim consigo.

Em primeiro lugar, há que identificar os «inimigos». Quem parece muito simpático, compreensivo, nos convida a contar-lhe os nossos problemas e utiliza esses segredos contra nós, deve fazer com que acionemos um sinal de alerta. Mesmo que o que o nosso colega vá contar aos outros até seja verdadeiro, se ele tiver má fé poderá fazer uma interpretação errada e propositada que poderá influenciar a opinião dos restantes.

Cuidado também com quem não olha a meios para atingir os fins, com uma ambição desmedida.

Como perceber quem são estas pessoas? É muito importante observar o seu comportamento. Se agem de forma pouco natural ou diferente de antes. Lá está, excessiva simpatia e elogios que têm por detrás outras intenções ou, por outro lado, uma distância e frieza que antes não aconteciam são de tomar nota.

Ora, se é o seu caso, se percebe que tem colegas assim, não fique de nervos em franja. Em primeiro lugar, deve lembrar a si mesmo que é um profissional. Por isso, respire fundo e evite reações a quente ou comentários infelizes.

De qualquer modo, não pode simplesmente fingir que algo está mal, porque deixar passar o problema não se traduzirá em melhorias. Comece por ter uma conversa privada com o seu «inimigo» para perceber o que se passa.

Caso a sua tentativa não dê frutos, pode ser que uma conversa em que participem mais pessoas seja promissora. Mas nesse caso terá de controlar as suas próprias emoções, para que o inimigo não pense que tem margem de manobra para culpá-lo de coisas que não fez ou dizer que você lhe fez acusações sem fundamento e com grande nervosismo.

Se, mesmo assim, não resultar, sempre poderá tentar integrar outro departamento dentro da empresa.

E os chefes, que papel têm na resolução de conflitos entre funcionários? Agir é a melhor opção. Não fazer nada é a pior.

É que deixar perdurar atritos tem efeitos na produtividade, na eficiência e na motivação dos funcionários e pode ainda contaminar os outros trabalhadores. Resultado: mau ambiente geral de trabalho.

As chefias devem falar com as partes implicadas, mas também com outras pessoas. E fazer valer o valor do trabalho e da equipa.

É verdade que nem sempre é fácil - e assim tão linear - conseguir livrar-se de um inimigo no local de trabalho. No entanto, ao mostrar que é um bom profissional, um bom colega e que contribui para o bom desempenho da sua equipa, tem aí a melhor receita para neutralizar eventuais inimigos.