Os desempregados colocados nos serviços da Administração Pública ao abrigo de Contratos de Emprego e Inserção manifestam-se hoje junto ao Ministério do Emprego para reivindicar um vínculo laboral, após apresentarem uma queixa à Organização Internacional de Trabalho (OIT).

O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores Luis Esteves disse à agência Lusa que os desempregados que estão a trabalhar em serviços públicos reivindicam a abertura de concursos para admissão de trabalhadores na Administração Pública, no sentido de reforçar os serviços e acabar com «a situação de exploração de que são vítimas».

«Estes desempregados/trabalhadores querem a garantia de um verdadeiro vínculo laboral, com os respetivos direitos, nomeadamente férias», disse.

Segundo o dirigente sindical, o recurso aos trabalhadores desempregados, nas mais diversas funções, nos serviços do Estado, tem aumentado de tal forma que já ultrapassou os 60 mil.

Os desempregados com Contratos de Emprego e Inserção colocados na Administração Pública recebem o subsídio de desemprego a que têm direito, mais um acréscimo de 20% e o subsídio de refeição.

Não têm direito a férias e voltam à situação de desempregado após seis meses ou um ano.

«É uma forma de exploração injusta, que nega o conceito de trabalho digno, definido pela OIT, um sistema de usa e deita fora», considerou Luís Esteves.

Por estas razões, os representantes sindicais destes

trabalhadores vão entregar na sexta-feira de manhã uma queixa no escritório de Lisboa da Organização Internacional do Trabalho contra este regime laboral, que é uma medida ativa de emprego promovida pelo Governo.

A CGTP apresentou há cerca de um ano uma queixa ao Provedor de Justiça relativa a esta situação.