São muitas as empresas europeias que justificam os despedimentos colectivos com os atrasos nos pagamentos. É o que mostram os resultados da 10ª edição do EPI- European Payment Index, divulgados esta quinta-feira pela Intrum Justitia.

«55 por cento das 10.000 empresas inquiridas estão a sofrer as consequências dos atrasos de pagamento e 36% acreditam que não têm possibilidade de crescimento e que a sua sobrevivência está a ser ameaçada», informa em comunicado a Intrum Justitia, consultora europeia de serviços de gestão de crédito e cobranças.

São apresentados como exemplos a Alemanha em que cerca de 35% das empresas «afirmam que os atrasos nos pagamentos têm um forte impacto no número de colaboradores», o Reino Unido com 30% de empresas na mesma situação, Espanha com 28% e França com 25%. Todas estas empresas justificam «a dispensa de trabalhadores devido aos pagamentos em atraso».

O estudo mostra ainda que na Europa existem cerca de 360.000 milhões de euros que são incobráveis. Isto, apesar de ter ocorrido uma descida na duração média dos pagamentos nos consumidores, nas empresas e no setor público face ao ano anterior.

Luís Salvaterra, diretor geral da Intrum Justitia Portugal, explica: «Se as empresas europeias tivessem disponíveis os 360 mil milhões de euros podiam fazer novos investimentos e contratar mais colaboradores. Mas, ao contrário disso, há cada vez mais empresas a cortar gastos para evitar a falência».

O mesmo responsável acrescenta que estes atrasos afetam sobretudo as pequenas e médias empresas.

A Intrum Justitia acrescenta que «apesar dos rumores sobre o fim da recessão», 72% dos gestores entrevistados afirmam que ainda não viram mudanças positivas nos últimos meses. Há ainda 46% de investidores que prevêem um aumento nos riscos de atrasos e de não pagamento.