Um pouco por todo o mundo, as comunidades estão cada vez mais vulneráveis às alterações climáticas, sendo necessário investir na criação de “trabalho sustentável”, alerta um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado esta segunda-feira.

A vulnerabilidade das comunidades às alterações climáticas é cada vez mais evidente, “com cerca de 1,3 mil milhões de pessoas a viver em terras frágeis” e vários milhões de pessoas afetadas por desastres naturais, assinala o documento.

Sublinhando que “as alterações climáticas, associadas a um aumento médio da temperatura global, têm conduzido a mudanças nos padrões de precipitação, aumento do nível das águas e uma maior frequência de fenómenos climáticos extremos”, o relatório do PNUD inclui um ranking dos países mais afetados por desastres naturais entre 2005 e 2012.


Naquele período, a Somália registou a maior percentagem média anual de pessoas afetadas, com 12,1% da sua população, seguindo-se Santa Lúcia, nas Caraíbas, com 11,5%, as Filipinas, com 10,6%, o Níger, com 9,7%, e o Djibuti, com 8,8%.

De acordo com o relatório, o impacto das alterações climáticas no desenvolvimento humano vai implicar “mudanças que afetarão seriamente o trabalho e as condições em que as pessoas – sobretudo os pobres – laboram”.


“Na bacia do baixo Mekong, no sudeste asiático – ocupada por comunidades agrárias e ribeirinhas – as alterações climáticas vão afetar a existência e os modos de vida de mais de 42 milhões de pessoas”, exemplificam os autores do texto, acrescentando que, globalmente, são esperadas “grandes mudanças nas culturas, aumento da mortalidade do gado, declínio no rendimento da aquacultura e maior incidência de doenças”.

Na vertente ambiental, o relatório do PNUD incide ainda na criação de “trabalhos sustentáveis” que, segundo os analistas, devem substituir algumas profissões associadas a danos ambientais e com um baixo potencial de desenvolvimento humano.

O trabalho sustentável pode ter lugar em economias desenvolvidas e em desenvolvimento e assemelha-se aos designados “empregos verdes”, ou seja, a “qualquer trabalho decente que contribua para preservar ou restaurar a qualidade do ambiente, seja na agricultura, indústria, serviços ou função pública”, esclarece o relatório, salientando que, existem, porém, dois aspetos que os distinguem.

Ao contrário dos “empregos verdes”, o “trabalho sustentável” não tem, necessariamente, de ser realizado para “ganhar a vida”, pelo que abrange “os esforços de voluntários, artistas, ativistas e outros”. Em segundo lugar, ele encerra em si um imperativo de “avanço do desenvolvimento humano”.

Para os autores do documento, esta modalidade laboral vai implicar três aspetos: a extinção de alguns trabalhos, tendo aqueles que a eles se dedicavam de “encontrar outras ocupações”; a transformação de outros, mediante “uma combinação de investimento em novas tecnologias e em atualização da formação profissional e das competências”; e a criação de novas profissões, “beneficiando tanto a sustentabilidade como o desenvolvimento humano”.

A ideia de extinção de determinadas profissões pode soar alarmante, mas os autores do relatório revelam que o processo já está em curso em vários pontos do planeta, com o encerramento de 167 minas de carvão até 2016 no Reino Unido, afetando 222.000 trabalhadores, ou a reestruturação do sector florestal na China, em curso até 2017 e que vai afetar 400 empresas e 100.000 trabalhadores.

Em contrapartida, áreas relacionadas com o ambiente podem absorver milhares de trabalhadores, caso do sector das energias renováveis, que, em 2014, empregava um número estimado de 7,7 milhões de pessoas direta e indiretamente, com a energia solar fotovoltaica como a maior empregadora, com 2,5 milhões de postos de trabalho.

No ano passado, os dez países com a mais elevada taxa de emprego no sector das energias renováveis foram a China, o Brasil, os Estados Unidos, a Índia, a Alemanha, a Indonésia, o Japão, a França, o Bangladesh e a Colômbia.