O Sindicato de Hotelaria do Algarve acusou os empresários do setor de transmitirem a ideia de que os algarvios não querem trabalhar ao afirmarem que estavam com dificuldades em contratar pessoal para o verão.

Na terça-feira, o presidente da maior associação hoteleira da região reconheceu que existem dificuldades em contratar trabalhadores para limpezas e empregados de mesa, na região com a taxa mais elevada de desemprego do país.

Em declarações à Lusa, o dirigente sindical Tiago Jacinto disse não compreender a afirmação, que considerou contraditória, uma vez que, indicou, é esse mesmo patronato que despede todos os anos milhares de trabalhadores.

«Querem fazer transparecer que os algarvios não querem trabalhar», afirmou, acrescentando que a maioria das propostas de emprego para o setor, já de si escassas, oferece condições de trabalho precárias e «quase difíceis de aceitar».

Segundo o sindicalista, há ainda empresas que usam estagiários adolescentes, alguns a custo zero, que ocupam postos de trabalho que podiam ser preenchidos por desempregados.

«Há um aumento brutal da exploração», referiu, sublinhando que as pessoas têm o direito ao subsídio de desemprego e que não devem ser obrigadas a aceitar propostas com condições precárias.

A saída de milhares de imigrantes do país pode ser uma das causas da dificuldade na contratação de trabalhadores temporários, de acordo com o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).

Segundo Elidérico Viegas, havia mão de obra não especializada que prestava esses serviços, originária maioritariamente do Leste da Europa e do Brasil que, devido à crise, regressou aos seus países de origem ou procurou melhores condições noutros países.