Mais de 70% dos trabalhadores do BCP sindicalizados que responderam à consulta da Febase - Federação do Setor Financeiro manifestaram-se a favor dos cortes temporários dos salários para evitar o despedimento coletivo.

Segundo a informação publicada no site da Internet do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI), das 1.516 respostas recebidas, 1.091 disseram «sim» ao acordo negociado com o banco de cortes salariais temporários, ou seja, quase 72%. Houve ainda 242 respostas contra o acordo, 12 nulas, duas em branco e 169 envelopes anulados por não ser possível identificar o emissor.

No início de fevereiro, os sindicatos de bancários da Febase enviaram 5.607 cartas aos trabalhadores do BCP sindicalizados na Febase.

«Aceita o teor do memorando acordado entre o BCP e a Febase - já do seu conhecimento pelas cartas enviadas -, que poderá evitar um despedimento coletivo e permitirá ao banco que a reestruturação a que está obrigado por força do acordo com a Direção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia se faça, preferencialmente, com recurso a reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo», era a pergunta do boletim de voto a que os sindicalizados tinham de responder «sim» ou «não».

Na quarta-feira, a mesa do Conselho Geral da Febase abriu os envelopes com as respostas e concluiu que a maioria era a favor.

«O resultado da consulta manifesta a solidariedade dos trabalhadores do BCP, que depois de devidamente esclarecidos optaram pela retenção salarial para evitar um despedimento coletivo», lê-se na nota publicada no portal do SBSI, que considera que esse entendimento é a «solução possível para salvaguardar um número significativo de postos de trabalho».

Após este passo, os sindicatos vão concluir a redação das cláusulas para a revisão do Acordo Coletivo de Trabalho (de forma a acomodar os cortes salariais temporários) que serão levadas, na próxima semana, à apreciação do Conselho Geral da Febase.

Depois disso, o processo ainda tem vários passos, como a publicação das alterações no Boletim do Trabalho e Emprego (BTE) e a criação de portarias de extensão para abranger o acordo aos não sindicalizados, pelo que os cortes só deverão começar a vigorar a partir de maio ou junho.

O plano de reestruturação que o BCP acordou com Bruxelas, depois de o Estado ter injetado 3.000 milhões de euros no banco para o recapitalizar, prevê a redução do número de trabalhadores em Portugal para 7.500 até final de 2017, o que significa menos 1.084 colaboradores do que os 8.584 que o banco tinha no final do ano passado.

Com vista a evitar despedimentos, no final de 2013, a administração do BCP e os sindicatos chegaram a um pré-acordo para um corte temporário dos salários (entre os 3% e os 11%) a todos os trabalhadores com remunerações acima dos mil euros brutos mensais. Os cortes mantêm-se em vigor até à saída do investimento público e quando o banco regressar aos lucros será levada à assembleia-geral uma proposta para que os trabalhadores recebam o dinheiro entretanto cortado.

Além dos cortes de salários, o BCP vai ainda levar a cabo processos de rescisões amigáveis e reformas antecipadas.

Na conferência de imprensa de apresentação de resultados de 2013, o presidente do BCP disse que o banco quer evitar o despedimento coletivo mas que este tem de cumprir o acordo feito com Bruxelas, pelo que vai fazer um «conjunto relevante de rescisões e reformas antecipadas para não entrar noutros mecanismos», ou seja, no despedimento coletivo.

O BCP, que em 2013 teve prejuízos de 740 milhões de euros, tem vindo a «emagrecer» os seus recursos humanos. Em 2012, saíram mais de 1.000 trabalhadores e em 2013 foram mais 398 funcionários.