A Volkswagen foi hoje avisada pelas autoridades de defesa do consumidor e pela própria Comissão Europeia que deve concluir “rapidamente” a reparação de todos os veículos afetados pelo escândalo da manipulação das emissões poluentes, que ficou conhecido como dieselgate.

"Após conversações com a comissária Věra Jourová, em 2016, a Volkswagen comprometeu-se a reparar todos os veículos afetados até ao outono de 2017", lê-se num comunicado da representação da Comissão Europeia em Portugal.

A fabricante automóvel alemã tem de responder ao pedido de Bruxelas no prazo de um mês e deve dar início a um diálogo a nível europeu, lê-se num comunicado da Comissão.

Caso a Volkswagen não reaja a esta posição comum ou não se chegue a um acordo, competirá a cada Estado-Membro decidir quais a próximas medidas a tomar”

Os governos podem tomar medidas adequadas às suas circunstâncias locais, “incluindo medidas coercivas, se necessário”. Fica o aviso.

É exigido à VW "transparência total" neste processo, "incluindo uma descrição detalhada do que foi feito e do que ainda falta fazer".

A Volkswagen deve garantir a resolução de eventuais problemas surgidos após a reparação, uma vez que a Comissão solicitou a plena conformidade com as regras de homologação para todos os veículos Volkswagen afetado.

O escândalo afeta mais de 8 milhões de consumidores em diferentes Estados-Membros.

Recorde-se que, o início de agosto, o gabinete antifraude da União Europeia alertou a Alemanha e o Banco Europeu de Investimento para uma possível "utilização fraudulenta" de fundos comunitários pela Volkswagwen, no âmbito do escândalo dos motores a diesel.

O escândalo

O grupo Volkswagen é dono de 12 marcas (entre elas Audi, Porsche e Seat) e, em setembro de 2015, admitiu ter instalado um software que manipulou as emissões poluentes, de modo a parecerem inferiores ao que realmente eram. Uma manobra que afetou 11 milhões de carros no mundo inteiro. "Fizemos asneira", admitiu na altura a própria empresa. E pelo mundo muitos afetados querem ser compensadas. Centenas de processos judiciais já deram entrada.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a VW chegou a acordo para encerrar os processos sobre o caso, pagando para isso 4.400 euros a cada cliente.

No Brasil, também há processos em curso. E na Europa? O atual presidente executivo da Volkswagen, Matthias Müller, recusa o mesmo nível de compensação para estes clientes, dizendo que isso seria “inapropriado” e “insustentável”.

Para além dos processos que a Volkswagen enfrenta de clientes que querem ser compensados no escândalo das emissões poluentes também os investidores do maior grupo automóvel da Europa exigem indemnizações.