Portugal voltou esta quarta-feira ao mercado para emitir dívida de longo prazo e a operação decorreu de forma bem sucedida. O país colocou o montante máximo previsto, 1.250 milhões de euros. Os juros desceram e a procura dos investidores baixou ligeiramente em relação a anteriores leilões. Esta operação ocorreu numa semana conturbada para os mercados, por causa da declaração da independência na Catalunha, na vizinha Espanha.

Segundo a página da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), foram colocados 750 milhões de euros em Obrigações do Tesouro a 10 anos, à taxa de juro de 2,327%. Foi inferior à taxa do anterior leilão comparável, de 2,785%, datado de 15 de setembro. A procura recuou ligeiramente de 2,06 vezes para 1,95 vezes.

Já a cinco anos, foram colocados 500 milhões de euros em Obrigações do Tesouro à taxa de juro de 0,916%, igualmente mais baixa em relação ao último leilão comparável, que ocorreu a 14 de junho. Nessa altura, a taxa foi de 1,198%. . A procura diminiu de 3,01 para 2,65 vezes.

Esta dívida vence em 2022 e 2017, respetivamente, com o IGCP a querer criar mais liquidez nas Obrigações do Tesouro em anos em que Portugal tem menos capital para reembolsar e juros comparativamente a outros anos.

"A operação portuguesa encontrou ampla procura, apesar de ser um dia movimentado no mercado primário de dívida, com a Holanda, a Alemanha e os EUA a colocar títulos. A Alemanha colocou menos dívida a 22 anos do que na emissão anterior e com juros menos negativos (-0,26% vs. prev. -0,36%)", nota o gestor do Big Steven Santos, num comentário enviado à TVI24.

Um eventual impacto negativo da turbulência política em torno da Catalunha não se está a sentir na dívida pública portuguesa nem na restante periferia".

Portugal está a atravessar uma fase de crescimento da economia e maior credibilidade lá fora, com as exportações e a confiança a aumentarem. Os investidores também já olham com outros olhos para a dívida portuguesa depois de a S&P ter finalmente retirado o rating da República do nível lixo, cinco anos e meio depois de ter considerado que a dívida portuguesa não era aconselhável.