O stock da dívida pública angolana deverá atingir este ano quase 50% do Produto Interno Bruto (PIB), perante o alerta dos economistas para a "deterioração" da sustentabilidade, nomeadamente as taxas de juro exigidas ao Estado angolano.

Em causa está a crise da cotação do barril de crude, que ao reduzir as receitas fiscais petrolíferas angolanas para menos de metade mergulhou o país numa crise financeira, levando ao aumento do endividamento público, para manter o investimento, embora mais reduzido.

"Está a verificar-se uma aceleração do ritmo de deterioração dos indicares de sustentabilidade da dívida e isso pode consubstanciar um problema num prazo de um a dois anos, e termos uma segunda vaga de contração da economia", alertou, em declarações à Lusa, o economista e analista de mercados angolano, Emílio Londa.

Angola quer emitir quase 400 M€ de dívida em moeda externa em 2016

Angola pretende emitir quase 1,9 mil milhões de euros de dívida pública na forma de Obrigações do Tesouro este ano, dos quais quase 400 milhões em moeda externa, para financiar investimentos públicos.

A decisão conta de um decreto executivo consultado pela Lusa, assinado pelo ministro das Finanças, Armado Manuel, de 28 de janeiro, após autorização do Presidente angolano e consulta ao Banco Nacional de Angola.

No total, o Governo angolano prevê emitir, em kwanzas (moeda nacional), Obrigações do Tesouro no valor de 264.791.800.000 kwanzas (mais de 1,5 mil milhões de euros), a colocar em leilões de preços, para "financiamento de investimentos públicos previstos no Orçamento Geral do Estado [OGE]".