A Alemanha tem sido um dos palcos preferenciais de destino da nova emigração portuguesa, num contexto de crise financeira e económica, que luta contra o estigma relativa à Europa do Sul, apostando nas qualificações.

Ana e Ângelo partiram para Berlim em diferentes contextos e partilham a vontade de um dia poder voltar.

«Tenho a esperança de poder voltar, mas enquanto tiver trabalho e aqui conseguir viver vou ficando, pois voltar para ficar desempregada, isso não», refere Ana Tendeiro de 32 anos que trocou Lisboa por Berlim no início do ano e trabalha num ateliê de arquitetura.

O que a trouxe para a capital alemã foi a vontade de trabalhar na sua área e depois de umas férias passadas no verão de 2012 em Berlim Ana decidiu-se. «Porque não arriscar?» - questionou.

«Não é que aqui seja mais fácil encontrar trabalho, principalmente quando não se fala a língua ou não se tem alguns anos de experiência. Mas neste momento é bem mais fácil certamente que em Portugal», atira Ana Tendeiro, salientando que adaptação ao país está a correr melhor do que esperava.

Ângelo Neto de 33 anos é músico e nasceu no Porto, mas viveu boa parte da sua vida em Lisboa e os motivos que o trouxeram a Berlim são bem diferentes dos de Ana. «Conheci a minha companheira em Lisboa e na altura achamos que seria melhor estar em Berlim, onde ela já vivia», diz Ângelo.

Contudo, mesmo depois de viver há dois anos na capital alemã refere que não consegue ficar indiferente ao que se passa em Portugal. «Estou muito preocupado com o que se está a passar em Portugal, mas também considero que este é um momento em que podemos fazer alguma coisa para mudar o rumo do país», afirma Ângelo, salientando que o que mais receia é a «incapacidade da classe política».

«Tenho laços estreitos com o país e gostava de ver a minha casa bem arrumada. Não vivo sufocado a pensar em voltar, mas gostava se um dia a minha filha quisesse viver em Portugal que o país tivesse boas estruturas», diz Ângelo Neto.

Já Ana Tendeiro demonstra mais interesse num regresso a Portugal, mas refere que tem pouca esperança numa mudança no rumo dos acontecimentos.

«Sigo a atualidade em Portugal e sinto-me um bocado triste e preocupada com o que se está a passar. Neste momento custa-me acreditar que o país possa dar a volta nos próximos anos», diz Ana, citada pela Lusa.

Quanto ao viver na Alemanha ambos dizem que existem algumas dificuldades «normais», mas que não é difícil viver em Berlim, pois trata-se de uma cidade «dinâmica e com um grande fluxo migratório».

«Em Portugal apesar de tudo talvez tivesse mais facilidade em encontrar trabalho na minha área, pois aqui tenho de ir furando e isso leva tempo, mas nunca me senti mal tratado ou colocado de parte por ser estrangeiro», refere Ângelo.

Já para Ana Tendeiro a adaptação à Alemanha tem também corrido bem, apesar dos constrangimentos que o não domínio do alemão por vezes provoca. «A minha adaptação está a correr melhor do que eu esperava, a língua é mesmo a maior dificuldade que encontro», diz Ana, concluindo que tem a sorte de no seu trabalho «a maioria das pessoas serem de outras nacionalidades».