A Fitch elogiou, esta segunda-feira, a melhoria nos perfis de crédito da banca portuguesa, que deverá continuar este ano, beneficiando da recuperação macroeconómica do país. Porém, ao mesmo tempo que elogia, a agência norte-americana de notação financeira também adverte para a qualidade e rendibilidade dos seus ativos dos bancos, que continua a ser baixa.

A descida do desemprego e uma suave, mas estável, recuperação no mercado imobiliário deverá beneficiar a atividade dos bancos, nomeadamente ao nível do crédito malparado e do volume de negócios”

Num relatório divulgado hoje, a Fitch considera que “a gestão dos ativos problemáticos herdados da recessão e a transformação dos modelos de negócio tradicionais são os principais desafios enfrentados pelos bancos portugueses no médio prazo”.

A agência prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português se tenha situado nos 2,6% em 2017 e antecipa que a expansão económica continue em 2018 e 2019, embora de forma mais lenta.

Depois de, no mês passado, ter revisto em alta os ratings e/ou as perspetivas de vários bancos portugueses, na sequência da subida do rating da República de ‘BB+’ para ‘BBB’, tirando Portugal do nível lixo, a Fitch reporta uma “melhoria material” dos principais indicadores dos bancos nacionais em 2017.

Os bancos aumentaram o capital em cerca de cinco mil milhões de euros e usaram estes recursos para aumentar as taxas de cobertura de ativos problemáticos e para fortalecer os respetivos rácios de capital, com o rácio Tier 1 (fundos próprios de base) a situar-se nos 12,4% no final de junho de 2017, bem acima dos 9,5% do ano anterior”.

Ainda assim, lá está, a agência de notação adverte que os ratings de viabilidade dos bancos portugueses “continuam abaixo do nível de investimento, devido à fraca qualidade e rendibilidade dos ativos”.

“Os ativos problemáticos - em grande parte dívida corporativa resultante da recessão de 2011-2014 - estão em declínio, tendo caído cerca de 16% na primeira metade de 2017, mas ainda representam cerca de um quarto do Produto Interno Bruto [PIB] português e continuam a prejudicar os resultados, sustenta

[Quer contudo] acreditar que a revisão feita no ano passado à legislação das insolvências em Portugal irá acelerar a reestruturação e liquidação da dívida, melhorando a situação no médio prazo”.

Segundo a Fitch, o nível de cobertura do malparado apresentado pelos bancos portugueses “é baixo de acordo com os critérios europeus – ainda aquém dos 50% para a maior parte dos bancos portugueses, apesar dos recentes esforços de aprovisionamento – e, apesar de o apetite dos investidores institucionais pelos ativos portugueses de alto risco estar a aumentar, os bancos terão de registar mais imparidades para satisfazer os requisitos de ‘yield’ [margem] dos investidores”.

Para além da atual gestão de ativos problemáticos em curso, os bancos portugueses estão focados em estratégias de redução de custos e de aumento da rendibilidade da geração interna de capital, sendo esta melhoria da eficiência operacional “uma prioridade” e não se prevendo mais movimentos de consolidação do setor no médio prazo.