A eurodeputada Elisa Ferreira, responsável pela posição do Parlamento Europeu nas negociações sobre a resolução de bancos em dificuldades, manifestou-se hoje satisfeita com o compromisso alcançado em torno de um mecanismo «poderoso», que protegerá os contribuintes.

Em declarações à imprensa após uma longa maratona negocial, a deputada do PS comentou que o acordo com o Conselho (Estados-membros) acautela aquelas que eram as principais preocupações do Parlamento, ao conceber um mecanismo que operará de forma profissional, acima dos meros interesses dos Estados-membros, protegendo os contribuintes.

«No fundo, (o acordo) garante que, quando há um banco que tem problemas, não são os contribuintes que são chamados a gastar o dinheiro para salvar o banco, que de facto há um mecanismo europeu que, organizadamente, os resolve, digamos assim, e que nesse processo há uma hierarquia de perdas, que começa pelos donos dos bancos e vai por uma sequência de credores dos bancos», apontou.

Elisa Ferreira sublinhou que «não faria sentido» que houvesse «uma supervisão forte, como vai ser a do Banco Central Europeu», mas depois, um banco que fosse considerado inviável «fosse atirado para as mãos de um país quando toda a supervisão, toda a regulação acabou por ser feita a nível europeu».

«Era preciso criar um instrumento também poderoso que fosse capaz de, organizadamente e profissionalmente, fazer as operações necessárias para evitar que uma falência desorganizada de um banco crie um problema como criou o Lehman Brothers e (problemas) como depois nós tentámos todos evitar, e fizemos isso no passado envolvendo os contribuintes, que não devem ser chamados para este tipo de fins, em vez de envolvermos no processo de resolução os donos dos bancos e os seus credores. E é essa a nova regra que vai passar a imperar na Europa», sublinhou.

A eurodeputada sublinhou também o papel desempenhado pelo Parlamento nas negociações para que «houvesse o máximo de separação entre um processo tem que ser técnico, credível e operacional, e a tendência que os Estados têm para interferir politicamente e alterar as condições quando os seus bancos estão em causa».

«Não vamos ter em relação aos bancos o mesmo sistema que nós notamos no processo de gestão da dívida soberana, isto é, que são os países mais poderosos a dizer o que é que acontece aos bancos dos países mais frágeis», disse, apontando que haverá antes lugar a «uma decisão profissional, com base em regras comuns», e que complementará assim «uma supervisão também europeia».