O secretário-geral da CGTP-IN afirmou esta segunda-feira que a privatização da empresa de resíduos Valorsul, em Loures, será «um atentado» contra o «património público» e vai traduzir-se numa «degradação das condições laborais e no aumento das tarifas».

«Esta proposta de privatização para além de ser negativa para os trabalhadores, porque questiona os seus direitos, fomenta a precaridade, reduz os salários, também é profundamente negativa para as populações porque degrada o serviço público e aumenta o preço a pagar», afirmou Arménio Carlos à agência Lusa.

O secretário-geral da intersindical participou esta manhã num plenário dos trabalhadores da Valorsul, que se concentraram à porta da central de incineração de resíduos sólidos urbanos, em São João da Talha, Loures, para protestar contra a privatização, já aprovada pelo Governo.

Em causa está o processo de alienação do capital estatal da Empresa Geral de Fomento, uma sub-holding do grupo Águas de Portugal responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos urbanos, através de 11 empresas de norte a sul do país.

Estas empresas têm como acionistas a empresa estatal Águas de Portugal (51%) e os municípios (49%). Entre estas está a Valorsul, que serve 19 municípios da Grande Lisboa e da zona do Oeste.

«O que estamos confrontados é com um atentado ao património público, numa opção ideológica de favorecimento dos lobbies económicos e financeiros, nomeadamente daqueles que fazem do serviço público um negócio», sublinhou Arménio Carlos.

Além de se manifestarem contra a eventual privatização da empresa os trabalhadores da empresa de resíduos protestaram igualmente contra o congelamento dos salários e das progressões de carreira e exigem o cumprimento do Acordo de empresa (AE), segundo explicou Mário Matos, da Comissão Sindical de Trabalhadores da Valorsul, à Lusa.

«Para os trabalhadores, a exemplo de outras que têm passado até hoje [privatizações], foram postos de trabalho que acabaram, direitos que se vão esfumando. A empresa se é hoje o que é pode agradecer a nós trabalhadores», afirmou o sindicalista.

No final do plenário, os trabalhadores aprovaram e entregaram uma resolução à administração da empresa, que se encontrava reunida em assembleia-geral para discutir, entre outros assuntos, o relatório de atividades e contas.
A privatização da EGF tem sido muito contestada, sobretudo pelos municípios acionistas das diferentes empresas que têm levado a cabo várias iniciativas de oposição a este processo.

Em setembro, o Governo anunciou que o consórcio SUMA, liderado pela Mota-Engil, tinha vencido o concurso para a privatização de 95% do capital da EGF.

Em fevereiro a Autoridade da Concorrência comunicou aos acionistas que tem «sérias dúvidas» sobre o processo de privatização e que vai desenvolver uma «investigação aprofundada».